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sábado, 19 de setembro de 2020

E a formação inicial de professores vai bem?

Foto 1 - A Voz da Serra

Ana Paula Silveira

2020, o ano que ficará marcado na vida de todos, como sendo um ano de novos desafios e de extremo negacionismo frente ao cenário pandêmico, que por sua vez intensificou o uso das mídias digitais ao desenvolvimento cognitivo desde a educação infantil a pós-graduação. Porém o uso ininterrupto das mídias digitais na educação evidenciou as lacunas sociais. 

Para muitos indivíduos o acesso à educação, enquanto direito fundamental, não está ocorrendo de modo qualitativo, usufruir desse direito, por vários motivos, invalida o que fora cunhado na Constituição de 1988, pois as ausências de computadores, celulares, internet de qualidades entre outros motivos não permite que haja a garantia da educação igualitária e de qualidade a todos.

Temos que reconhecer que os cursos on-line, seminários, congressos estão proporcionando encontros memoráveis entre educadores de escolas públicas e pesquisadores das grandes universidades brasileiras, mas ressalto que: será que todos estão dispostos a ouvir, interiorizar e agir, de modo crítico, a partir das discussões, ressaltadas nessas aulas, palestras, lives e etc.? Será que os professores da educação básica, tem a possibilidade de modificar suas práticas docentes e transformar a educação? Será que os professores da Educação Básica são apenas treinados para reproduzir uma educação bancária? Como estão nossos cursos de licenciaturas?

Vou mais além, será que os professores não estão sendo usados por instancias maiores, para atestar a inabilidade da educação pública de qualidade, para então assistirmos a privatização da educação em todas as modalidades e deixar a educação, de ser um direito fundamental.

Na obra Pedagogia do Oprimido, escrita por Paulo Freire, na década de 1980, apresentou a pedagogia da práxis, que é a possibilidade de professores e estudantes refletirem e agirem criticamente. Nesse sentido os professores foram convidados a desenvolver práticas docentes que valorizem as experiências, os conhecimentos prévios dos estudantes, para romper com os ciclos de opressão que está empregando na nossa educação.

O que precisamos para romper com os ciclos de opressão? Precisamos de cursos de licenciaturas de excelência, cursos que oferecerão uma formação crítica, que ensinem aos futuros professores olhar e reconhecer-se no Outro. 

Além disso nesses cursos ditos aqui de excelência, deve-se ensinar que todos fazemos parte de uma sociedade, pois nós humanos somos seres com suas especificidades, porém fazemos partes de uma coletividade, que precisa unir-se para reconhecer suas liberdades e lutarmos pela permanência dos nossos direitos fundamentais que com o passar dos anos estão sendo ceifados.

Então a liberdade frente ao ciclo de opressão aconteceria em comunhão como disse Paulo Freire: “Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão”, para isso todos os profissionais da educação, familiares e sociedade civil precisam estar engajados na luta pela liberdade.  

Os cursos de licenciaturas precisam mostrar aos futuros professores que o ciclo de opressão precisa ser rompido e isso não acontecerá de modo isolado, os futuros professores e profissionais da educação precisam compreender que a transformação acontecerá com uma pedagogia da práxis, bem desenvolvida, mas para isso esses profissionais precisam do apoio social, infelizmente aos professores recaem a accountability, são cobrados, precisam fornecer os melhores desempenhos pedagógicos. 

Os professores precisam ser reconhecidos como heróis em meio ao caos, estão com nós a possibilidade de transformação quando oferecemos aos estudantes ensinamentos críticos, os professores precisam ser valorizados por todos. Somente com a pedagogia da práxis nos cursos de licenciatura, somente com a pedagogia da práxis das escolas públicas, somente com a valorização dos profissionais da educação, somente com a comunhão frente a luta de rompimento do ciclo de opressão, teremos o direito fundamental à educação de qualidade a todos os indivíduos. 

Pode até parecer utópico frente ao nosso cenário atual, mas se os professores apenas reproduzir esse sistema opressor e virar a página da apostila para continuar as atividades, sem complexidades, sem criticidade, sem inferências, vamos terminar essa apostila e encerrar a nossa história.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Resenha: "Quarto de Despejo - Diário de uma Favelada" de Carolina Maria de Jesus

Convite de Leitura e de Reflexão


LIVRO: QUARTO DE DESPEJO - DIÁRIO DE UMA FAVELADA 
ESCRITORA: CAROLINA MARIA DE JESUS 

Adriana Maria Silva
Ana Paula Silveira 

Quarto de despejo é um livro publicado em agosto de 1960, e a obra é a união de mais de 20 diários escrito por Carolina Maria de Jesus, mulher negra, guerreira, mãe solteira, moradora da favela Canindé, criou seus filhos com seu suor e sua força. 

Quarto de despejo é um livro que conta através das vivencias de Carolina, o que é a favela e principalmente como é morar lá. 

Em seus diários, Carolina, acha forças para discorrer como são seus dias de trabalho, recolhendo reciclagem na cidade de São Paulo, para chegar ao final do dia e tentar conseguir algo para dar de comer aos filhos. 

Esses diários foram escritos entre 15 de julho de 1955 e 1 de janeiro de 1960. Aqui Carolina nos revela uma mãe que mesmo esgotada, cansada de tudo, ainda encontra forças para seguir por seus filhos. 

“Saí indisposta, com vontade de deitar. Mas, o pobre não repousa. Não tem o previlegio de gosar descanço. Eu estava nervosa interiormente, ia maldizendo a sorte. Catei dois sacos de papel. Depois retornei, catei uns ferros, uma latas, e lenha.” 

Carolina, estudou até o segundo ano (primário), porém, muito autodidata conseguia nos transmitir um texto poético e cheio de sentimento (muito triste e real). 

"Tenho apenas dois anos de grupo escolar, mas procurei formar o meu carater" 

Lendo quarto de despejo, certamente muitos sentimentos vem à tona, um misto de tristeza, revolta, vontade de fazer algo para que toda aquela dura rotina não estivesse em cena. 

Carolina, chega a citar que a fome tem cor, e que seria amarela. Essas passagens são muito difíceis de ler. Muitas vezes ela busca por doações ou recolhe coisas do lixo. 

São cenas fortes que passa pela imaginação do leitor, muitas vezes chega a ser como soco no estomago. 

“A tontura do álcool nos impede de cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é horrível ter só ar dentro do estômago.” 

Enfim, um livro em que encontramos uma mulher batalhadora que além de passar fome, lutava, como uma leoa, para tentar dar que seja um pão aos filhos, para não os ver morrerem de fome. 

Temos aqui relato de sobrevivência, força, coragem, fé e muita luta. Luta contra a miséria, a fome e a falta de apoio que infelizmente muitas mulheres enfrentam sozinhas até os dias atuais. 

Devemos impedir o despejo dos nossos direitos fundamentais, devemos lutar contra o negacionismo que vivemos, lutar contra um governo que destrói, que nos despeja diariamente. Mulheres, pretos, homossexuais, crianças são despejadas, por meio de “comentários”, legislações e ações, o despejo não é só físico, ele é social, ele é cultural. 

A fome tem cor, a dor tem cor, o despejo também tem cor, essa cor pode ser representada por sentimentos na atual sociedade brasileira o “ódio” ganhou forças, se perfaz as cores, se alguém perguntar qual a cor da fome, qual a cor do negacionismo? Meu car@ todas as cores, mas se existe algo, além das cores, então posso dizer que o ódio... a cor universal do presente momento e talvez do que viveu a Carolina de Jesus. 

Frente a isso fica o convite para leitura dessa grande obra!

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Educação perpetua ou reproduz preconceito?


     

Ana Paula Silveira
E-mail: a_silveirapaula@yahoo.com.br

O mês de junho é regado de comemorações “Juninas”, festa típica da cultura brasileira, época em que os educadores ensaiam para apresentar danças, brincadeiras e teatros.
Pois bem, nesse momento alguns estudantes, sobretudo CRIANÇAS se mostram: racistas, gordofóbicos, homofóbicos, xenofóbicos e tudo mais que existir de preconceito em relação ao diferente.

Mas quem são os diferentes? Se essas crianças preconceituosas se encontram no mesmo patamar daquela que discriminou, o mais bizarro é ver negros sendo racistas, porque a sociedade o faz acreditar ser branco.

Mas quem ensinou essa criança a ser preconceituosa?  A Escola ensina a ser racista?

Observando alguns comportamentos, chega-se a conclusão que as crianças reproduzem práticas preconceituosas advindas do ambiente familiar e social (esse social pode aqui, ser considerado a Escola) esse preconceito é geracional, pois se origina na família e se consolida no ambiente escolar, quando há ausência de práticas docentes críticas em relação ao tema.

Os responsáveis pelos estudantes se direcionam até a Escola para afirmarem, que as crianças não irão se apresentar nas festividades juninas, assim impedindo as crianças “passarem vergonhas” por não estar ao lado de uma “top model” ou um “world mister” que seguem padrões de beleza.

Os responsáveis ao invés de investigarem o porque da recusa em participar das apresentações e tentar modificar a situação, apenas contribuem para difusão e solidificação do preconceito.

Embora haja uma luta constante contra o bullying e o preconceito, algumas práticas escolares reproduzem a discriminação. Não se pode excluir totalmente a Escola da solidificação do preconceito, pois é um ambiente que não acolhe os “diferentes”, como deveria acolher.

Você que nesse momento lê esse texto reflita se em algum momento sua prática docente reproduziu a práticas preconceituosas.

Pense, de modo crítico, e questione o quanto você já contribuiu para extirpar o preconceito da sociedade em que vive?

O ambiente escolar não deve ser o ambiente em que o preconceito ganhe forças, onde o preconceito se torne a arma de defesa, desses sujeitos na sociedade, tornando os sujeitos cidadãos acríticos, cidadãos crentes em, estereótipos de padrões de beleza, mas que não se enquadram, mas os utilizam para discriminar os demais sujeitos.

As pessoas acham que fazem parte do grupo do Eu, mas na verdade fazem parte do grupo do Outro, existe uma falsificação e uma exclusão branda que permitem as pessoas esquecerem suas origens, seu lugar de partida.

Uma das funções da Escola é oferecer condições para esses sujeitos, lembrando-os de suas origens ou mesmo mostrar que não habitam o grupo do EU, mas sim o do Outro. Oferecer condições critica para esses sujeitos combater os preconceitos dentro dos grupos que habitam.

Como combater o preconceito nos ambientes escolares, se o mesmo surge do ambiente familiar? As famílias (todos os tipos de família existente na contemporaneidade) precisam frear o preconceito, juntamente com práticas docentes críticas que fazem as crianças refletirem que suas ações não condizem com uma sociedade igualitária.

Práticas docentes carregadas de conhecimento que contribuam para mudanças de práticas sociais e não para conhecimentos medíocres que propagam o preconceito, frente a diversidade brasileira, são fundamentais para a superação do racismo, como também das diversas formas de preconceitos.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Educação, ações, transformações...




Ana Paula Silveira
a_silveirapaula@yahoo.com.br


Vamos falar de educação? A tarefa de educar nos dias de hoje é complexa e árdua.  A educação além de contribuir para a formação do ser humano, auxilia para a construção social uma vez que as ações dos sujeitos dentro do espaço escolar delineiam a sociedade.

Assim entendendo, como Paulo Freire, a educação não é neutra, desta forma, uma escola que se engaja com a transformação social precisa se posicionar perante as desigualdades sociais, visando uma sociedade mais justa e democrática.

Quem são os sujeitxs  que se engajam na transformação social, pela educação? São os professores, profissionais esquecidos e abandonados, sem as mínimas condições para desenvolver uma educação de qualidade, profissionais que dão a vida pela educação.

Profissionais que se anulam em função de seus ideais, estou aqui versando dos verdadeiros professores, daqueles que fizeram um pacto com a educação desde primeiro dia que sentaram numa sala de aula de qualquer faculdade de licenciatura para aprender a Arte de transmitir/ ensinar novos conhecimentos. Professores, que com suas ações conseguem transformar suas realidades.

Nesse sentido pensar na ação docente, como única e isolada sem poder de transformação é não acreditar na liberdade, na transformação, na concretização do processo de ensino/aprendizagem, que esta por sua vez o professor precisa de todos para agir é necessário ter as ações conjuntas, pois a consciências dessas ações não estão voltadas para si, todas as ações conscientes são voltadas para algo fora a elas, no caso os estudantes.

De acordo com Weber a sociedade é constituída com/por linhas (ações individuais) que em dado momento se cruzam, formando uma teia, um emaranhado de linhas (ações coletivas) os professores são propositores desses entrelaçamento, pois suas ações contribuem para desenvolver novas linhas, novas teias na sociedade que os sujeitos se encontram.

Diariamente novas linhas são construídas nos ambientes escolares, novas teias são construídas pelos professores, algumas são destruídas durante o ano letivo, mas são reconstruídas com os materiais disponíveis naquele ambiente escolar, mesmo que as escassezes desses materiais ultrapassem os limites dentro da Escola, x professorx jamais deixará uma ação transformadora inacabada, x professorx milita e luta por aquilo que acredita, no processo de ensino e aprendizagem de qualidade.

Em tempos sombrios à Educação Brasileira, onde querem nos tirar o que temos de mais valioso, a representatividade de Paulo Freire e seus ensinamentos, trazidos por esse ícone da educação brasileira, nosso patrono Paulo Freire, nesse dia dxs Professores deve-se refletir sobre o poder de criação de novas ações que levam a transformações, uma vez que a educação não só contribui para formação do ser humano, como supracitado a educação contribui para o construto social, pois a ações docentes comporão as ações dos estudantes numa teia maior e externa a Escola.

Desejo a você professores uma boa ação docente, que possa contribuir para formação de uma sociedade democrática de fato, uma sociedade que os sujeitos estão dispostos a lutar pelo bem comum, a educação de qualidade.




domingo, 10 de setembro de 2017

Que País é esse?



Ana Paula Silveira
a_silveirapaula@yahoo.com.br

Que país é esse que a corrupção assola a sociedade? Que país é esse que milhões são encontrados em malas? Que país é esse que massacram índios? Que país é esse que a luta contra o desmatamento e o extrativismo é tido como necessário?  Que país é esse que baniram a reforma agrária por numerosas vezes? Que país é esse que há uma alta concentração de renda e poder? Que país é esse que os partidos políticos são verdadeiras facções? Que país é esse que a organização criminal é melhor que a organização pública? Que país é esse que há o caos na saúde pública? Que país é esse que privatiza os setores públicos para receber propinas? Que país é esse em que não há segurança pública? Que país é esse que as mulheres são violentadas? Que país é esse que ejaculam em mulheres nos transportes públicos? Que país é esse que não há equiparação salarial que faz distinção de gêneros? Que país é esse onde o racismo é latente? Que país é esse em que a violência tem cor? Que país é esse que a orientação sexual é sinônimo de anormalidade? Que país é esse que as pessoas não têm tolerância religiosa? Que país é esse que prima pela padronização? Que país é esse que cria uma Base Nacional Comum Curricular? Que país é esse quer uma Escola sem partido? Que país é esse que acaba com as Universidades Públicas? Que país é esse que acaba com a educação pública?

Essas e outras questões deveriam fazer parte do cotidiano de todxs cansadxs de presenciar a triste realidade, nesse país não podemos dizer que existe um Estado democrático, pois essa “democracia” coopta para o aumento do poder do capitalismo, sobretudo o poder daqueles que detém o capital financeiro, como pontou Florestan Fernandes.

Fomos instruídxs e ensinadxs que vivemos em Estado de Democracia, mas quando na realidade os acontecimentos provam que não há um regime participativo, como pode haver cidadania e direitos iguais, se em um determinado Estado da federação, existem leitos e hospitais e em outras unidades federativas, pessoas morrem nos corredores por falta de materiais básicos para atendimentos ao público.

Há democracia em um país que proíbe professores de ensinar o quão está errada nossas concepções de sociedade e formação do sujeito, um país que teme a Escola crítica, um país que não permite os professores militarem a favor da sociedade.

Lembro-me que por anos a FUVEST procurou por um herói brasileiro em seus vestibulares, mas os heróis brasileiros são os professores, os quais tem muito caráter e força de vontade de oferecer aos educandos, oportunidades de saírem da mesmice, do fracasso já predestinado pela violência, pela descriminação racial, pela ausência de políticas de segurança pública eficaz, fracasso que aqueles que estão no poder torcem para acontecer, pois é fundamental ter fracassados e vitoriosos, é necessário ter meritocracia e perpetuação da pedagogia do cultivo, assim como afirmou Weber.

Isso não quer dizer que o capitalismo é o grande culpado por tudo que acontece, se há um culpado, esse talvez, seja as pessoas que por aqui passaram ou que aqui estão, todxs contribuíram de modo direto ou indireto para a estruturação e composição da concentração de poder, advindos das facções, que concentram os elegidos pelo povo para representatividade.

Somos todxs corruptos? Somos todxs inaptos a viver em sociedade? Somos todxs perversos? Somos todxs egoístas agimos somente para beneficiar a si? Somos nós os verdadeiros políticos desse país somos nós que executamos as políticas pensadas ou copiadas para esse país, de acordo com Stephen J. Ball estamos no contexto de prática, alguns podem até pairar nos contextos de influência e de texto, mas a prática revela o país.  


sexta-feira, 14 de abril de 2017

Base? Suporte ou Maquiagem? Educação não é perfumaria....




Ana Paula Silveira
E-mail: a_silveirapaula@yahoo.com.br
 
O vocábulo “Base” de acordo com diversos dicionários, significa suporte ou sustentação para algo, o presente vocábulo quando pesquisado na rede mundial de computadores, aparece imagens de bases para usos cosméticos, maquiagens, utilizadas para corrigir imperfeições na pele.
Mas nos ultimas dias ouvimos falar de Base, na educação, mas quais os atributos da Base na educação? Será oferecer suporte ou maquiar algo?
Tecendo-se analogias com os significados e significantes do vocábulo segue algumas observações que convidará você a refletir de modo crítico, sobre a Base na educação brasileira.
No dia 10 Abril foi apresentado pelo governo de Michel Temer a segunda versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a educação infantil e o ensino fundamental, fixando objetivos, conteúdos, competências e habilidades a serem oferecidas ao longo da formação estudantil, excluindo o ensino médio da formação básica no país.
Essa Base de acordo com informações obtidas no sítio eletrônico do Ministério da Educação, está prevista na Carta Magna brasileira de 1988, na Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional de 1996, nos Parâmetros Curriculares de 1998, nos Planos Nacionais de Educação 2010; 2014 e na Conferência Nacional de Educação de 2010.
Pois bem, é inegável a necessidade de ter parâmetros e objetivos curriculares mínimos para garantir uma formação de qualidade de norte a sul no país, mas não permitir que haja as manifestações das singularidades do ser, as diversidades de gêneros, o respeito pelas orientações sexuais, as condições socioculturais e as diversidades sociolinguísticas, simplesmente pelo fato de ter que respeitar e seguir os objetivos e conteúdos fragmentados em disciplinas isoladas a cada ano para, então obter a formação do sujeito de qualidade e plena.
É necessário encontrar um ponto comum no processo de ensino/aprendizagem na educação brasileira, mas isso não se faz em três anos de discussão e implementação da Base é necessário décadas de estudos, pesquisas e discussões com os pares.
Essa Base para os idealizadores se faz urgente e necessária à educação brasileira, pois faz parte do progresso educacional em vários países como Austrália, Chile, Cuba, Estados Unidos, Finlândia, México, Nova Zelândia e Portugal, além disso é necessária para enfrentar os desafios contemporâneos são as justificativas dadas pelos idealizadores e defensores da Base.
Os “conservistas” e entidades educacionais privadas estiveram nos bastidores da última versão da Base, enviada ao Conselho Nacional de Educação, sendo isso um retrocesso na luta e na conquista de anos dos movimentos estudantis e sociais, que lutaram por aquilo que de fato está na Constituição de 1988, uma educação igualitária e de qualidade a todos os brasileiros, respeitado as diferenças.
Vale ressaltar que para que haja essa formação igualitária e de qualidade é necessário haver respeito às diversidades, essa Base na educação não reflete as reais condições educacionais no Brasil emergentes do íntimo das escolas públicas.
Antes de propor às escolas públicas essa Base, como suporte curricular, devem, antes, oferecer condições mínimas de funcionamento e estrutura a professores, funcionários, estudantes e comunidade assistida pela instituição, para que possam reivindicar os reais direitos educacionais, pois oferecer algo sem antes consertar aquilo que vem a séculos ruindo é, na verdade, oferecer uma maquiagem para esconder as fissuras nas paredes das escolas públicas.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) seria pertinente, se caso, todos os problemas educacionais no Brasil já tivessem sido sanados com políticas públicas contundentes, eficazes e efetivas, mas problemas educacionais no Brasil, onde não se tem um Sistema Nacional de Educação surgem diariamente.
O último Plano Nacional de Educação intenta a criação desse Sistema Nacional de Educação, o qual já era para estar em elaboração, mas no momento a preocupação é a elaboração, implementação e aplicação de uma Base à educação.
Assim assistimos o desenrolar das prioridades governamentais e não as prioridades das escolas públicas, dos professores, dos funcionários e de toda comunidade escolar e aguardando em breve o lançamento das Normas Técnicas para Educação Brasileira ou Manual de Aplicação da Base, na educação, pois educação no Brasil se faz com maquiagens, com manuais, com “Ctrl C- Ctrl V” e com simulacro da autonomia.

sábado, 29 de outubro de 2016

Diálogos: A Escola Pública faz um país?








Ana Paula Silveira
E-mail: a_silveirapaula@yahoo.com.br

Não é de hoje que, na sociedade brasileira, as mudanças, os entraves, os acontecimentos históricos se dão em espaços escolares formais e não formais, sobretudo em escolas públicas. Como por exemplo, a escolarização dos nativos da ilha de Vera Cruz.

Avançando um pouco mais na história brasileira nos deparamos com uma escola elitista e seletiva, onde poucos gozam do direito a escolarização, assim aumentando as diferenças sociais.

Aqueles que eram abastados ao terminar a formação básica no país se dirigia a Europa para ter uma formação acadêmica de alto nível, voltando para o Brasil para implementar o aprendido, mas as ideias inovadoras foram consideradas ameaças por muitos que aqui administravam os setores e segmentos sociais, impedidos de pôr em prática seus anseios, alguns desses jovens se rebelaram, dando início a motins, revoltas e inconfidências, nesse sentido observamos que a educação tem o poder de criar transformar a realidade posta.

Após a criação das Universidades Públicas brasileiras, as mesmas foram palcos de inovações cientificas, descobertas artísticas, formação de grandes escritores, teóricos e críticos, porém se torna uma ameaça à ordem impostas por governos ditatoriais e, por consequência, tendo vários universitários perseguidos, torturados e mortos por militares.

Com o passar dos anos, na “redemocratização”, as escolas passaram ter papel essencial nas escolhas dos dirigentes governamentais em dois aspectos, sendo eles como o espaço físico para o pleito e o espaço que pode oferecer uma formação crítica para que as pessoas façam as escolhas devidas, mas não é interessante manter uma sociedade crítica e atuante, pois essa sociedade, munida de conhecimento, transforma a realidade, luta pelos seus direitos.

Com concessões de benefícios a população, políticas públicas são implementadas, mediante a frequência escolar das crianças nas escolas, através de projetos, tais como o “Visão de Futuros” que são realizados na escola, as ações vinculadas à Pastoral da Família, as campanhas de vacinação e a última, contra o HPV, podendo elencar numerosas ações que acontecem nas escolas, mas frisei as recentes das últimas décadas.

Além desses fatos mencionados, a escola também é o abrigo para as pessoas vítimas de desastres naturais, abrigo para esportistas em competições regionais, abrigo para congressistas.  Mais uma vez a escola ensina, direciona os fatos sociais e acolhe as pessoas.

O abrigo para mudança, a escola pública passou a ser no ano de 2016, como por exemplo, a revolução feita pelos secundaristas do Estado de São Paulo, que derrubaram o projeto que fecharia escolas estaduais, proposta governamental com objetivos de expansão do ensino técnico, no Estado de São Paulo.

Recentemente, em todo território nacional, outra ocupação iniciou contra a Reforma do Ensino Médio, a qual pretende eliminar disciplinas do currículo escolar, além das escolas de ensino médio estarem ocupadas no momento, os institutos federais de educação, as universidades públicas também estão ocupadas contra a aprovação da PEC-241, cabendo ressaltar que essa ocupação chama mais atenção da mídia e preocupa os governantes, pelo fato das proximidades do ENEM e das Eleições Municipais do segundo turno.

Há uma preocupação, porém não é com os estudantes mortos e feridos durante a ocupação, a preocupação, por hora, é com a situação dos espaços escolares, para acontecer as escolhas dos dirigentes municipais, que quando ocuparem altos cargos políticos esquecerem, de suas origens, desrespeitando movimentos estudantis legítimos. 

As manifestações ocorridas esse ano em escolas públicas, mostram o quão organizado e politizado estão os jovens brasileiros, estes certamente estão aprendendo, cada vez mais pela pedagogia da convivência e pela educação não formal, talvez estes jovens disciplinados dentro de uma sala de aula, com padrões tradicionais, decorando conteúdos para as provas finais, não conseguiriam apreender sobre as perspectivas sociais, culturais e econômicas, o aprendizado político e crítico não perpassam as matrizes curriculares, dos jovens brasileiros, os Estado cada vez mais formam jovens passiveis e acríticos.
 
A escola, enquanto espaço de luta, transformação e revolução, não pode se calar diante das imposições de governos ilegítimos, que podem feri-la, uma vez que é pela escola e na escola que acontece ações e programas do governo federal para beneficiar a sociedade civil, é na escola que escolhemos os representantes governamentais, essa escolha se dá no âmbito subjetivo, pois no processo de ensino/aprendizagens de qualidade teremos as condições plenas de escolher criticamente quem irá nos representar, mas também de modo objetivo por meio das eleições voltamos à escola para exercer a nossa cidadania.

Além disso, passamos a maior parte do tempo de nossas vidas na escola, nesse sentido pode-se afirmar que a nossa personalidade é constituída dentro da escola, ou seja quem somos e o que fazemos é fruto do que fomos e do que apreendemos, enquanto crianças, adolescentes e jovens estudantes, por isso a necessidade da escola, repensar como está contribuindo para a formação do sujeito e formação da sociedade brasileira, a reforma educacional é necessária, mas está não deve ser imposta, precisa surgir do “chão da fábrica”, ou seja todos da comunidade escolar são competentes para propor a mudança, a transformação.

A escola não é apenas um prédio em que mandamos as crianças, os jovens para decorar apostilas, atingir rankings mundiais, a escola é o locus de constituição do sujeito de suas ações na sociedade, ações estas que primem pela mudança, por um novo Brasil.