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quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

A normalização da Pandemia e a ideologização do Covid-19.

Charge 1 - Site Hoje em Dia

Cléder Aparecido Santa-Fé

A Pandemia do Novo Coronavírus (Covid-19) já completou um ano em escala global. Os primeiros casos, ocorridos em Wuhan na China, datam de 1º de dezembro de 2019.

Toda a inteligência científica está engajada no combate à crise sanitária instalada e as vacinas entraram em fase final de desenvolvimento.  Em 2021, provavelmente, teremos uma forma mais eficiente de imunização coletiva contra essa moléstia.

Durante 2020, as medidas de isolamento social, uso de máscara e de higienização constante das mãos, com sabão e/ou álcool em gel, foram engendradas nas grandes mídias e pelos governos em todo mundo.

Ação Pública desarticulada e ideologização do vírus.

Charge 2 - Site Dom Total

No caso brasileiro, todavia, não ocorreu uma ação integrada entre as esferas governamentais (Federação, Estados e Municípios) e sim o estabelecimento de uma grande disputa política, com a ideologização perversa da Covid-19.

O atual governo, que se diz combatente das diversas formas de ideologizações, deu início a uma narrativa de banalização dos efeitos e mortalidade da doença. 

Ao ideologizar o vírus e trazer a crise sanitária para uma disputa política, o governo federal promoveu um boicote massivo a todas as medidas preventivas de transmissão da doença (isolamento social, uso de máscara em espaços públicos e privados, etc.).

Estamos no último mês de 2020 e já foram registrados no Brasil, até a data desse artigo, aproximadamente 6,6 milhões de infectados e 178 mil mortos. O vírus ainda continua em circulação: até hoje, 09 de dezembro, tivemos uma média semanal de aproximadamente 42 mil novos casos da doença e de 600 novas fatalidades.

Normalidade Forjada

Charge 3 - Site ND+

Em contrapartida, a vida cotidiana aparenta ter voltado à normalidade. Os setores produtivos e de serviços estão em pleno funcionamento.

Os setores do turismo e do entretenimento também estão voltando, aos poucos, às suas atividades. A grande mídia mudou a sua agenda informativa: a hashtag #fiqueemcasa foi substituída pelas hashtags #flexibilizacao, #voltaasaulaspresenciais, e outras correlatas.

A população relaxou nos protocolos de segurança e voltou a circular nas ruas, promover encontros com amigos e familiares, etc.

Verifica-se, no país, a possibilidade de uma segunda onda de casos da doença ainda nesse ano.  Em suma, a narrativa ideológica do governo federal sagrou-se vencedora a médio prazo. O que explica tal fenômeno?

Polarização e Tribalismo político

Charge 4 - Site Zero Hora 

        É claro que não há uma resposta única, porém há alguns diagnósticos presentes no embate político das últimas décadas. A descrença na ciência e na educação como instituições basilares do conhecimento é um, dos principais fatores, que nos auxilia a compreender esse fenômeno.

Outra questão fundamental advém da ausência de uma cultura política qualificada no cotidiano social brasileiro, focada na construção de políticas públicas de longo alcance junto à sociedade civil e outros atores importantes do regime democrático.

A “cidadania” tupiniquim é medida pelo termômetro das redes sociais. Vivenciamos uma disputa tribal e infecunda nesses espaços, oriunda de uma polarização que não enxerga além do lulopetismo e do bolsonarismo.

Essa visão restrita e maniqueísta da coisa pública acaba por favorecer ainda mais uma cultura política pautada na figura do líder carismático, emprestando um conceito sociológico de  Max Weber para melhor exemplificar a minha perspectiva.

Desta forma, a racionalidade ausenta-se do debate e acaba por prevalecer a barbárie das paixões político-partidárias.

Portanto, a constituição de uma nova cultura política pautada no ouvir e na construção coletiva do dialogo urge.

Deixarei uma composição de minha autoria e meu irmão, Coca Nietzschiano, sobre esse tema, estabelecendo-se como uma crônica social do Brasil em 2020. Espero que gostem.


Demência (Cléder-X/ Coca Santa Fé)

A demência do discurso
Desconsidera salvar vidas.
A demência das chamas
Carboniza o verde, os animais.

A demência opressora que
Se maquia de livre arbítrio.
A demência das opiniões que
Se prolifera em metadados.

A demência viral
Clamando por normalidade.
A demência é negligência,
Enojando o consenso,
Burlando as regras.

A demência usurpa o debate,
Transmuta a mentira em verdade.
A demência conserva em si
A sua própria incoerência.

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Resenha do Fragmento "Tempo e Poder" do Livro Tempo: Entre o efêmero e o Eterno, a Vida de Valdermir Pires.

Foto 1 - Site da obra Tempo: Entre o efêmero e o Eterno, a Vida. - Valdermir Pires

Cléder Aparecido Santa-Fé
casantafe83@gmail.com

Ao ler o fragmento “Tempo e Poder” (acesse o texto completo -->> aqui), de autoria do Professor Valdemir Pires, acolhi definitivamente a ideia de tempo como um fenômeno infindo, transitório, independente e soberano.

Ao narrar, neste instigante fragmento, as ascensões e quedas de inúmeros regimes políticos, de sistemas democráticos à tirânicos, Pires constata a fragilidade humana ao engendrar e acreditar na perpetuação do status quo.

O tempo evidencia toda a nossa fragilidade (de opressores e de oprimidos), como muito bem pontuado no fragmento, uma vez que “todo governo é passageiro, por maior que seja a prorrogação que consiga obter, por meio da conquista da simpatia dos governados ou por meio da supressão da possibilidade destes de a ele se oporem” (Pires, 2020).

Neste sentido, toda tentativa de totalitarismo, mesmo que aparentemente eterno em nossa percepção temporal, haverá de ruir à soberania de Cronos.

Ao observar, numa perspectiva de crônica, a atual situação política mundial e brasileira, escrevi a canção “Nos Dias de Hoje” (letra e link disponíveis após esse texto), que relata, como forma de denúncia, os descalabros engendrados por grupos totalitários na busca da perpetuação do seu capital político, assim como silenciar toda manifestação legítima que busque superar a dicotomia polarizada, imposta nas atuais narrativas ideológicas em voga.

Porém, após a leitura do fragmento, a esperança, combinada com boas doses de reencantamentos, ocupam agora as minhas reflexões, uma vez que, como já muito bem pontuado por Chico Buarque, “apesar de você, amanhã há de ser outro dia”.

Uma boa leitura a todos!


NOS DIAS DE HOJE (CLÉDER-X)

O nosso senso regride a cada minuto perdido, 

Em palavras vazias,
Informações e mentiras.

A falta de consenso reprime
A ciência e a cultura;
O império da ignorância
Vociferado por boçais.

O silêncio da razão:
A apoteose do entretenimento...
Um vazio totalitário
Que ameaça o livre pensamento.

A censura do contraditório,
A negação da liberdade...
Nos dias de hoje
É o decrépito e o caos.

domingo, 31 de dezembro de 2017

Rumo a 2018...


Prezados leitores!!!

Primeiramente, eu gostaria de desejar um Feliz Ano Novo aos leitores do meu blog e reiterando que 2018 seja um ano repleto de realizações, felicidades e mudanças significativas em nossas vidas.

Eu gostaria de agradecer também ao meu irmão Júnior e meus amigos Fábio Augusto e Ana Paula Silveira por publicarem seus artigos neste blog, ressaltando a criticidade dos textos divulgados durante o ano.

Por fim, comemoramos às quase 15 mil visualizações ocorridas durante a existência do blog “Epílogo da Vida”, com alguns temas despertando a discussão democrática nas pessoas. Esses números são gratificantes para nós, uma vez que este blog não possui fins comerciais.

Um grande abraço a todos

Viva 2018!!!!!

Equipe - Epílogo da Vida

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Pagando o Pato?


Cléder Aparecido Santa-Fé
casantafe83@gmail.com


Quem está pagando o Pato?

A socialização do prejuízo com o povo brasileiro é o que vigora atualmente nas "reformas" engendradas pela classe política, no intuito de contornar os bilhões de reais desperdiçados em barganhas de cargos públicos, compra de votos visando à aprovação de projetos pelo legislativo, corrupção, etc.


Antes e após o "golpe" verificamos uma ação ostensiva, de determinados grupos econômicos, para se viabilizar reformas que visam prejudicar a classe trabalhadora que, após contribuir por décadas com a Seguridade Social, merecidamente, necessitam usufruir, no futuro, da aposentadoria.

O INSS é deficitário?



O discurso do temerário governo federal peemedebista é de que as reformas na previdência (PEC 287) serão fundamentais para o revigoramento da economia e do poder de arrecadação fiscal estatal, uma vez que, para o governo, o INSS é deficitário. 

Porém, de acordo com os estudos da Associação Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip), a Previdência Social é, em contradição do discurso oficial do governo, superavitária. No site da Câmara dos Deputados há um informativo que fala sobre o superávit da Seguridade Social, para saber mais clique aqui.

Margarida Araújo, presidente da Anfip, alerta sobre a tentativa de desmonte da Seguridade Social ao explanar que “é preciso que todo cidadão e cidadã tenha certeza de que a Seguridade Social é viável e faz a diferença na vida das pessoas. Todavia, é incompreendida diante de um mercado privado avassalador ou até mesmo do governo que, sabendo que o orçamento é viável, tira dela muitos recursos que garantem o presente e futuro de milhões de brasileiros”.

A crise econômica como vilã da história.


Fonte: Rodrigo Viana (Revista Fórum)

É evidente que todo o discurso pró-reformas é embasado na crise econômica que assola o país desde 2015, porém o governo "golpista" tem adotados medidas similares ao do governo deposto de Dilma Rousseff.

A medida que tem mais impactado no bolso dos brasileiros é o aumento sucessivo dos combustíveis (álcool e gasolina).

De acordo com dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo) o etanol, em janeiro de 2015, custava, em média, R$ 2,06 por litro e atualmente está com o preço de R$ 2,79 por litro. No biênio 2015-2017, o aumento do etanol foi de aproximadamente 35%.

A gasolina, em janeiro de 2015, estava com preço médio de R$ 3,03 por litro e atualmente custa, em média, R$ 4,00 por litro. No biênio supracitado, o aumento da gasolina foi na faixa dos 32%.

Os atuais reajustes nos combustíveis estão refletindo também no preço final de diversos produtos, deteriorando ainda mais o poder de compra dos consumidores.

Golpistas e Golpeados: Faces da mesma moeda?




Em âmbito local, no município de Araraquara, o atual governo petista encaminhou, para aprovação da Câmara Municipal, um projeto de lei que visa atualizar a Planta Genérica de Valores e, consequentemente, reajustar as alíquotas do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), além de outras taxas que incidem sobre os imóveis construídos na cidade. 

Na primeira votação, o Projeto de Lei foi aprovado pelo legislativo por 10 a 7. De acordo com notícia veiculada pelo portal de notícias CidadeOn, clique aqui para saber mais, milhares de imóveis terão um acréscimo de até 100% em seu valor venal atual.

O único ponto positivo da proposta é que os imóveis localizados nas regiões periféricas do município não sofrerão com reajustes no IPTU.

Em contrapartida, o salário mínimo do trabalhador brasileiro obteve, nos últimos anos, um reajuste total de apenas 6%, indo de R$ 880,00 em 2016 para R$ 937,00 em 2017. Os reajustes foram aprovados pelo Decretos Federais nº. 8618/2015 e 8948/2016

Verifica-se que golpistas e golpeados estão socializando o prejuízo da crise fiscal e econômica brasileira à sociedade civil, que deverá perder cada vez mais seu poder de compra, em detrimento do pagamento de impostos, produtos e serviços mais onerosos.

Portanto, em 2018, as eleições serão a grande oportunidade dos brasileiros darem sua resposta nas urnas e fazerem renascer a democracia.


Referências:

A CIDADE ON. "Câmara aprova nova PGV e alteração do IPTU em Araraquara". Disponível em: https://www.acidadeon.com/araraquara/politica/NOT,3,7,1292386,Camara+aprova+nova+PGV+e+alteracao+do+IPTU+em+Araraquara.aspx - Acesso em: 07-dez-2017.

ANP. Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, "Série histórica do levantamento de preços e de margens de comercialização de combustíveis". Disponível em:http://www.anp.gov.br/wwwanp/precos-e-defesa/234-precos/levantamento-de-precos/868-serie-historica-do-levantamento-de-precos-e-de-margens-de-comercializacao-de-combustiveis - Acesso em: 07-dez-2017.

BRASIL. "Decreto nº. 8381 de 29 de dezembro de 2014". Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/decreto/d8381.htm - Acesso em: 07-dez-2017.

BRASIL. "Decreto nº. 8618 de 29 de dezembro de 2015". Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/decreto/d8618.htm - Acesso em: 07-dez-2017.

BRASIL. "Decreto nº. 8948 de 29 de dezembro de 2015". Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/decreto/D8948.htm - Acesso em: 07-dez-2017.

CÂMARA DOS DEPUTADOS. "Seguridade Social no Brasil é superavitária, afirma Anfip". Disponível em: http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cssf/noticias/arquivos-noticias-2015/seguridade-social-no-brasil-e-superavitaria-afirma-anfip - Acesso em: 07-dez-2017.






segunda-feira, 11 de setembro de 2017

As Novas Tecnologias desconcentram o poder?


Cléder Aparecido Santa-Fé
E-mail: casantafe83@gmail.com

Cada vez mais as novas tecnologias e as TIC's (Tecnologias da Informação e da Comunicação) estão engendrando diversos debates, principalmente, em torno dos impactos dessas inovações na sociedade mundial.

Alguns desses debates estão centrados em analisar os efeitos dessas novas formas de interações sociais na perspectiva do poder.  Para tanto, cabe destacar que grandes pensadores versaram sobre o fenômeno do poder durante o marco civilizatório.

Na era renascentista, Francis Bacon, afirmava que o próprio conhecimento é poder. No início do século XX, Max Weber trouxe um grande arcabouço teórico sobre as fontes do poder, todas amparadas pela dominação do homem em suas relações sociais.

Nos anos 1990, Alvin Toffler publica, nos EUA, o livro Powershift, traduzido no Brasil como "As Mudanças do Poder".  Esta obra é de suma relevância para entender algumas mudanças nas relações de poder com o advento das novas tecnologias da informação. Em seu capítulo introdutório, Toffler alega que, a era da Powershift, é "um momento em que toda a estrutura do poder que mantinha o mundo coeso está agora se desintegrando". (TOFFLER, 2010, p. 27)

Ao mencionar a consolidação das novas tecnologias nas relações humanas, Toffler remonta as contribuições de Francis Bacon e enfatiza que o conhecimento seria, nos dias atuais, a fonte mais relevante de poder, se sobressaindo às outras duas fontes de poder restantes que são a riqueza e a violência. Para exemplificar melhor as três fontes que legitimam o poder, o autor alega que "na política, um governo pode prender ou torturar um dissidente, punir financeiramente seus críticos e recompensar seus partidários, e manipular a verdade para criar a anuência" (TOFFLER, 2010, p. 38).

Nesse sentido, Toffler contasta previamente que, no atual contexto informacional, o conhecimento se torna um poder de alta qualidade, uma vez que se torna um multiplicador de riqueza e força.  Para tanto, o autor menciona o processo de tecnologização do exército americano, instituição legitimada para o uso da força e financiada pelo governo americano, que utiliza-se de alto grau de conhecimento computadorizado em suas operações.

No contexto brasileiro, verifica-se, através da crise institucional do sistema político, que a classe política não consegue mais manter, em sigilo, suas práticas de corrupção, uma vez que as novas tecnologias sempre deixam algum registro comprobatório das ações de improbidade. O caso brasileiro é pertinente, pois ainda há grande resistência "colonial" dos poderosos (políticos e grandes empresários) em compreender que o poder está sendo transferido para outros agentes da sociedade civil, tentando conservar, de forma autoritária, seu domínio político.

Toffler, no capítulo "A Democracia de Mosaícos", propõe, na atual sociedade, a efetivação de uma democracia das minorias, nas quais os diversos grupos da sociedade possam ser protagonistas na gestão da coisa pública. O autor afirma sobre o fim da democracia de massas e salienta que a democracia de mosaícos é "[...] altamenente carregada, que se desloca com rapidez e que corresponde à ascensão dos mosaicos na economia e funciona de acordo com regras próprias.  Estas regras irão nos obrigar a redefinir até mesmo os mais fundamentais pressupostos democráticos." (TOFFLER, 2010, p.273).

Portanto, qual é a sua opinião sobre esse tema? As novas tecnologias realmente detêm a possibilidade de desconcentrar o poder?

Referências:

TOFFLER, Alvin. Powershift: As mudanças do Poder. São Paulo, Editora Record, 2010 (7ª ed.)

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Finanças Públicas, PEC 241 / PEC 55 e os desdobramentos para o País.

Cléder Aparecido Santa-Fé
E-mail: casantafe83@gmail.com


“Não ascendo bandeira, não colo adesivo
Não tenho partido, odeio político
A única campanha que eu faço é pelo ensino
E pro meu povo se manter vivo”. (Facção Central)


O principal assunto abordado em todas as mídias e por diversos atores da sociedade civil está relacionado à aprovação, nas casas legislativas, da PEC 241 / 55, mais conhecida como a PEC do Teto.

Tendo por base a exposição de motivos da referida Proposta de Emenda de Constitucional, EMI nº. 00083/2016 MF MPDG, a equipe econômica do governo Temer alega que, após a crise econômica de 2008, o orçamento federal vem sofrendo um crescente desequilíbrio orçamentário, sendo que o governo federal está onerando os cofres públicos com o aumento desproporcional da despesa pública primária e, em contrapartida, as receitas arrecadadas pelo governo continuam constantes. De acordo com o documento, a raiz do problema fiscal:

“[...] está no crescimento acelerado da despesa pública primária. No período 2008-2015, essa despesa cresceu 51% acima da inflação, enquanto a receita evoluiu apenas 14,5%. Torna-se, portanto, necessário estabilizar o crescimento da despesa primária, como instrumento para conter a expansão da dívida pública. Esse é o objetivo desta Proposta de Emenda à Constituição”. (BRASIL, 2016).

A proposta sugerida pela equipe de Temer, para solucionar o referido desequilíbrio fiscal, seria adotar, durante o período de 20 anos, o estabelecimento de um teto máximo para o gasto público, sendo repassado para o exercício fiscal seguinte apenas a reposição da inflação do ano anterior, desta forma, ocorreria um congelamento dos investimentos públicos, possibilitando o reequilíbrio orçamentário e coibindo as grandes distorções nas taxas de juros e desemprego.

É citado, pelo Ministro da Fazenda, que alguns setores possuirão limites de gastos individualizados, por exemplo, os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, incluso o Tribunal de Contas da União, Ministério Público da União e demais órgãos autônomos. As áreas públicas afetadas com a fixação de gasto mínimo dos recursos são a saúde e a educação.

De acordo com a Economista e Professora da USP, Laura Carvalho, em entrevista no canal do Youtube “Justificando”, o problema fiscal não estaria atrelado ao aumento da despesa pública, conforme defende o atual governo, mas na deterioração da arrecadação fiscal, ou seja, a crise governamental é fruto da queda das receitas públicas. A grande questão que paira no ar é a seguinte: Em que momento e em quais medidas o governo abdicou de arrecadar receitas?

A referida economista apresenta que desde a desaceleração econômica ocorrida em 2011, o governo promoveu diversas medidas de isenções fiscais para a classe empresarial, afetando diretamente na queda da receita pública. Em 2010, foi assinada lei que concedeu a isenção fiscal de 1 bilhão de reais em impostos à FIFA e seus parceiros, com a finalidade de se realizar a Copa do Mundo de 2014 no país, de acordo com notícia veiculada no site do jornal “O Estado De São Paulo”.

Tanto os governos petistas, quanto o atual governo “golpista” também continuaram concedendo diversos benefícios fiscais, assim como se recusaram a propor, como alternativa para minimizar a crise, a discussão e aprofundamento da reforma tributária, como também a regulamentação de alguns impostos previstos na Constituição Federal de 1988, tais quais podemos citar a taxação sobre grandes fortunas.

Ficou evidente, com essa sucinta análise, que realmente não serão os grupos empresariais e industriais, representados pela FIESP e órgãos correlatos, que irão pagar o pato. A única alternativa, cogitada pelo governo Temer, é a famosa socialização do prejuízo com a sociedade brasileira, uma vez que o congelamento de gastos na saúde e educação, áreas tão importantes e ainda defasadas no Brasil, resultará em precarização e sucateamento dos serviços de saúde e educação ofertados pelos estados e municípios brasileiros. Com uma educação pública sucateada, haverá um aprofundamento das desigualdades sociais e uma elitização do saber e do direito à saúde, com poucos tendo acesso a uma educação e saúde de qualidade.

Portanto, salienta-se a existência de outros “remédios” para equilibrar a receita pública, que vão desde o combate efetivo contra a corrupção, o empoderamento dos cidadãos para o controle social do gasto público até a extinção de regalias da classe política e empresarial, sem ser necessário adotar o corte de gastos em direitos sociais. 

Deste modo, cabem aos cidadãos ocuparem os espaços públicos, seguindo o exemplo dos secundaristas, que ocuparam as escolas públicas em diversas regiões do país, com a finalidade de pressionar esse temerário governo a repensar a PEC 241 / 55 e seus desdobramentos para o país.

 
REFERÊNCIAS:

BRASIL: Proposta de Emenda Constitucional 241/2016. “Altera o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, para instituir o Novo Regime Fiscal”. Disponível em: “http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=AE4B09166F523D2093F039323E1DB702.proposicoesWebExterno1?codteor=1468431&filename=PEC+241/2016”. Acesso em: 02-nov-2016.
CANAL JUSTIFICANDO, YOUTUBE. “PEC 241 – Justificando entrevista Laura Carvalho”. Disponível em: “https://www.youtube.com/watch?v=O8WIRV42b0E”. Acesso em: 02-nov-2016.
ESTADÃO, “Brasil abre mão de arrecadar R$ 1 bilhão em impostos na Copa de 2014”. Disponível em: “http://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,brasil-abre-mao-de-arrecadar-r-1-bilhao-em-impostos-na-copa-de-2014,1024244”. Acesso em: 02-nov-2016.
G1, GLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S.A. “Estudantes ocupam prédios em protesto contra a PEC 241 no MA”. Disponível em: “http://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2016/10/estudantes-ocupam-predios-em-protesto-contra-pec-241-no-ma.html”. Acesso em: 02-nov-2016.
TOM WEB. “Transparência Orçamentária Municipal Via Internet”. Disponível em: “https://thetomweb.wordpress.com/”. Acesso em: 02-nov-2016.

sábado, 28 de maio de 2016

Doutrinação Ideológica?


Cléder Aparecido Santa-Fé
E-mail: casantafe83@gmail.com

Nas últimas semanas, ocorreu uma certa polêmica devido a tramitação, no poder legislativo, do Projeto de Lei nº 867/2015, que tem por objetivo punir a prática de doutrinação ideológica nas escolas brasileiras, proposta encaminhada pela organização "Escola Sem Partidos".

Os principais pontos abordados no projeto de lei são: a neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado; o pluralismo de ideias no ambiente acadêmico; a liberdade de aprender, como projeção específica, no campo da educação, da liberdade de consciência; a liberdade de crença; o reconhecimento da vulnerabilidade do educando como parte mais fraca na relação de aprendizado; educação e informação do estudante quanto aos direitos compreendidos em sua liberdade de consciência e de crença; direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções e, por fim, proibir, em sala de aula, a prática de doutrinação política e ideológica bem como a veiculação de conteúdos ou a realização de atividades que possam estar em conflito com as convicções religiosas ou morais dos pais ou responsáveis pelos estudantes.

Os pontos grifados são os mais problemáticos nesta proposta tão complexa, uma vez que a ação do professor estará cerceada aos princípios éticos e morais dos pais do educando. Neste sentido, onde está a neutralidade política, ideológica e religiosa também exposta no projeto? Outra questão a ser pontuada é como o educando, como parte mais fraca na relação de aprendizado, irá diagnosticar práticas de doutrinação ideológica? Quais serão os critérios para avaliar tal prática?

É evidente que devemos defender uma imparcialidade dos conteúdos ministrados pelos professores, com a exposição de um tema de forma plural, cabendo ao docente que esteja, por exemplo, ministrando aula sobre o Capitalismo, apresentar os aspectos positivos deste sistema, como as conquistas das liberdades individuais e a consolidação das democracias modernas durante o século XX, utilizando-se de referências teóricos liberais e/ou neoliberais, como também abordar os aspectos negativos deste sistema econômico, aprofundando os conceitos de desigualdade e pobreza no sistema capitalista, através das categorias marxianas.

Outra questão equivocada do projeto de lei está na criminalização do professor como único agente promotor de doutrinação ideológica, deixando de lado a doutrinação promovida em livros didáticos e correlatos. Cabe salientar que o professor não possui autonomia plena para ministrar suas aulas, ele deve estar pautado em uma base curricular definida pelo governo federal e amparado também por diretrizes educacionais em âmbito local. 

O projeto de lei também combate, implicitamente, o caráter político da educação, conceito amplamente defendido por Paulo Freire e, outrossim, verifica-se que a "escola sem partidos" deixaria de debater com maior profundidade assuntos relacionados à cidadania, ao republicanismo e ao funcionamento da política.

Portanto, cabe enfatizar que a defesa de uma maior neutralidade nos diferentes conteúdos transmitidos pela escola pode ser significativa, principalmente no que tange à análise e adoção de certos livros didáticos, muitos desses explicitamente imparciais em determinados temas, devendo esses materiais passarem por uma avaliação mais rígida enquanto reprodutores de ideologias político-partidárias, tanto à esquerda, quanto à direita. 

Ressalta-se que esse artigo é de caráter introdutório, pois o tema é complexo e exige maior aprofundamento, sendo insuficiente tratar todas as implicações deste projeto na educação brasileira em um simples artigo. Qual é a sua opinião sobre a doutrinação ideológica no ambiente escolar?

sábado, 22 de agosto de 2015

Os boleros do Rock and Roll


Cléder Aparecido Santa-Fé
E-mail: casantafe83@gmail.com


Nos anos 1960 ocorreu uma revolução no mundo da música. Diversos estilos e movimentos musicais surgiram sincronizados, pautados na miscigenação de ritmos regionais com outros de determinadas classes sociais. A Bossa Nova, no final da década de 1950, incorporou elementos do jazz americano com o samba brasileiro. O Tropicalismo, no final dos anos 1960, confrontou o conservadorismo xenofóbico da passeata contra a guitarra elétrica e criou uma concepção musical antropofágica, incorporando elementos do rock and roll com a música popular brasileira, fermentando diversas experimentações e trazendo para cultura brasileira diversas inovações estéticas. O que os tropicalistas viram de relevante no rock para incorporá-lo ao movimento?

O rock and roll, principalmente nos anos 1960 e 1970, possuiu um caráter muito camaleônico, além do que sua gênese é oriunda da fusão do blues, gênero musical concebido pelos negros americanos, com o country, estilo regional e rural, conhecido pelo slogan "blues feito por brancos americanos". 

Ai você certamente está pensando: O que isso tem a ver com os boleros do rock and roll?

A resposta está no espirito democrático e experimentalista do rock produzido no período supracitado. Nesse breve artigo vou expor minha experiência com três boleros produzidos por grandes nomes do rock mundial, a saber: Beck's Bolero do Jeff Beck Group; Abbandon 's Bolero de Emerson, Lake and Palmer e The Devil Triangle do King Crimson.

As três canções possuem influência da música clássica, mais precisamente do bolero composto por Maurice Ravel no início do século XX. De acordo com o Wikipédia (2015), a estrutura do Bolero de Ravel atende por um ritmo invariável, melodia uniforme e com repetitiva sensação de mudança efetuada pelos efeitos desorquestração e dinâmica, com um crescendo progressivo e uma curta modulação próxima ao fim.

Em 1967 foi lançada ao mundo a música Beck's Bolero, da banda Jeff Beck Group, este sendo o último dos três boleros que eu tive contato. Cronologicamente é o mais antigo das três canções e aparenta possuir maior inovação e pioneirismo na fusão da música clássica com o rock, visto que toda estrutura rítmica é resgatada do bolero clássico. Os elementos do rock and roll estão nos solos virtuosos da guitarra de Beck e na mudança de ritmo no meio da canção para um hard rock furioso. Sem dúvidas uma fantástica fusão das duas distintas linguagens musicais.

Em 1971, a banda de rock progressivo King Crimson, em seu segundo álbum "The Wake of Poseidon", utilizou a estrutura de bolero na canção "The Devil Triangle", porém com a mistura de mellotron e sintetizadores que tiveram por intuito causar o maior pavor ao ouvinte. A intenção da banda, nessa peça, era trazer ao ouvinte as sensações de medo, horror, desespero, angústia com a estrutura repetitiva do bolero causando um crescente desconforto.  Este bolero foi o segundo ao qual tive acesso.

Por fim, em 1972, a banda Emerson, Lake and Palmer lançou, no álbum Trilogy, a música Abbandon's Bolero.  Esta peça possui estrutura rítmica de bolero e harmonização com vários sintetizadores. Esta versão ficou próxima de uma versão eletrônica. Interessante notar que este bolero destoa dos demais por apresentar uma característica mais otimista e próxima dos concertos de música clássica. A versão ao vivo comprova este peculiar fator.


Estas canções sintetizam o quanto o rock and roll, como gênero de música popular, aproximou-se do conceito de "arte". Infelizmente a indústria cultural conseguiu padronizar este gênero, tornando-o lucrativo aos empresários de entretenimento.

Para quem quiser conhecer as três músicas abordadas, estou deixando os links de acesso. Um abraço a todos e um salve a boa música.


Emerson, Lake & Palmer - Abaddon's Bolero (From Works Live) 

https://www.youtube.com/watch?v=guAgk8ZANUc

King Crimson - The Devil's Triangle

https://www.youtube.com/watch?v=BLklkXwEMvM

Beck's Bolero (1967) by the Jeff Beck Group

https://www.youtube.com/watch?v=nmO0OZC6Ifk




sábado, 8 de agosto de 2015

Zé e Zappa: A reinvenção da vanguarda e o resgate da concepção de Stravinsky


Os anos 1960 ficaram marcados por ser a década em que houve uma revolução cultural imensurável em nível mundial. Nesse período destaca-se a consolidação do nascente rock and roll e sua explosão em âmbito mundial, através da beatlemania e posteriormente do movimento hippie.  Neste período, no Brasil, também temos um turbilhão cultural se desenvolvendo, através do apogeu da contracultura, da bossa nova, da música de protesto e do tropicalismo.
Na política, essa década do século XX ficou marcada pela instalação de regimes autoritários em países da América Latina, pela política externa intervencionista norte-americana que resultou na Guerra no Vietnã, pelo movimento ocorrido na França, denominado “maio de 1968”, no qual setores estudantis e, posteriormente, do proletariado francês reivindicaram do governo a execução de reformas nas políticas educacionais francesas.
A apresentação desse contexto histórico é necessária para analisarmos o cenário no qual surgiram os dois maiores nomes da música de vanguarda deste período: Tom Zé e Frank Zappa.
Sabe-se que ambos os artistas beberam da mesma fonte: a música de Ígor Stravinsky. Este grande músico, do início século XX, foi um grande experimentalista, com a criação de obras distantes dos padrões da estética musical, sendo considerado um compositor inovador, com a predileção, em suas obras, de estruturas rítmicas e melódicas complexas, além do uso frequente de dissonâncias, despertando a admiração de Tom Zé e de Frank Zappa.
O baiano Tom Zé participou ativamente do movimento da Tropicália (1967-1969), sendo um dos principais responsáveis pelo estilo artístico adotado pelo movimento. Toda sua obra posterior procurou enfatizar, na concepção das letras e dos arranjos, a fusão de elementos da pop-art, do rock and roll e da música brasileira com o experimentalismo presentes nas obras de Stravinsky e demais compositores de vanguarda. 
Tom Zé possui álbuns memoráveis, com destaque aos discos Todos os Olhos de 1974, Estudando o Samba de 1976, Tropicália Lixo Lógico de 2012, entre outros. 
Cabe ressaltar que no Brasil, após o tropicalismo, sua obra passou despercebida até ganhar notoriedade internacional, no final dos anos 1980, através do “reconhecimento” de David Byrne, músico da banda Talking Heads, ao ouvir uma de suas obras. 
Byrne ficou admirado pela estética musical de Tom Zé e resolveu fazer a divulgação de suas canções nos EUA.
O norte-americano Frank Zappa também possuía forte influência de compositores de vanguarda (Edgard Varese, Stravinsky e Anton Webern) e conseguiu incorporar esses elementos com a sua inovadora música com marcante presença do jazz, do rhythm and blues e do rock and roll em suas composições. 
Em toda a sua carreira, Frank Zappa foi considerado praticante de música underground, e suas obras continham sátiras aos modismos musicais da época, neste caso, a psicodelia, a opera rock e o disco. Os principais discos de Zappa são Hot Rats de 1969, Waka/Jawaka e The Grand Wazoo, ambos de 1972, e You are What You is, etc. Em 1993, Zappa morreu devido ao alastramento de um câncer.
Infelizmente a vida e o destino não possibilitaram que Tom Zé e Frank Zappa se cruzassem e, talvez, desenvolvessem um trabalho conjunto. Se essa parceria acontecesse, certamente teríamos ainda mais belíssimas contribuições e inovações estilísticas musicais. Salve Zé, Salve Zappa!

REFERÊNCIAS:
Wikipédia – Frank Zappa: https://pt.wikipedia.org/wiki/Frank_Zappa
Wikipédia – Stravinsky: https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dgor_Stravinski

sexta-feira, 3 de julho de 2015

O Fortalecimento da Cidadania contra o Desmonte do Processo Democrático


Cléder Aparecido Santa-Fé
E-mail: casantafe83@gmail.com.br

            Após toda a repercussão contra a manobra antidemocrática aplicada por Eduardo Cunha na “aprovação” da redução da maioridade penal, torna-se oportuno tecer uma breve reflexão sobre o fortalecimento da cidadania e sua importância contra o desmonte do processo democrático.
            Alguns autores, da filosofia e da ciência política, são de suma importância para compreendermos a participação popular.  Alexis de Tocqueville, pensador político do século XIX, destaca o papel da sociedade civil no sistema democrático, destacando que uma democracia efetiva resulta do conhecimento da população sobre as questões públicas, ou seja, a ação política de um povo definirá a existência de um governo liberal ou tirânico.
            Para Gramsci, pensador marxista do século XX, é na arena da sociedade civil que as classes sociais buscam legitimar sua hegemonia, através da difusão ideológica exercida por igrejas, partidos políticos, sindicatos, a mídia, entre outros atores.  Portanto, o sistema democrático é a arena politica para que as classes subalternas possam lutar por conquistas sociais e, em longo prazo, pela superação do sistema capitalista.
            Maria Lourdes Manzini Covre, no livro “O que é cidadania?”, alerta sobre os entraves na efetivação da cidadania, uma vez que os detentores do poder procuram promover ações voltadas aos seus interesses, ainda que disfarçadas de interesse público. Este é o caso da manobra atrelada por Cunha que sobrepôs os interesses da bancada da bala aos interesses da sociedade brasileira.
Diante desses conceitos, a nossa ação cidadã é determinante para legitimar ou repudiar ações totalitárias em um regime democrático, visto que uma cidadania efetiva, para além do direito ao voto, deve ser fruto da reivindicação, da manifestação e da participação popular na “coisa pública”.

Obs: Gostaria de pedir desculpas por possíveis reducionismos teóricos, uma vez que a proposta deste artigo é trazer breves reflexões sobre o contexto político atual do nosso país.

REFERÊNCIAS:
MANZINI-COVRE, M. L. O que é cidadania. São Paulo: Brasiliense, 2001.
VIOLIN, T.C. A Sociedade Civil e o Estado Ampliado, por Antonio Gramsci, Revista Eletrônica do CEJUR, v. 1, n. 1, ago./dez. 2006. Disponível em: <http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs/index.php/cejur/article/view/14846/9966>. Acesso em 03-07-2015.
TOCQUEVILLE, Alex: “A democracia na América”. Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/Universidade de São Paulo, 1987.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

As corporações e o discurso ambientalista: A mais sublime perfumaria.

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Cléder Aparecido Santa-Fé
E-mail: casantafe83@gmail.com


Eu acabei de ler um post no blog do Jamil Chade relatando que a FIFA recusou-se a destinar mais de 0,01% do total da renda dos jogos à causa do tatu bola, mascote da Copa 2014 e espécie ameaçada de extinção.

Cabe salientar que o querido “Fuleco” gerará aproximadamente 30 milhões de reais de lucro aos fabricantes e a FIFA, detentora da patente da mascote, estava disposta a ceder apenas 01 milhão à ONG “Associação Catinga”, entidade responsável pelas ações de preservação do tatu-bola. 

Perante a negativa da ONG, que considerou o valor oferecido muito baixo, e da falta de interesse da FIFA em elevar os valores do repasse da renda, as negociações fracassaram.

Este é mais um caso em que o discurso ecológico e de sustentabilidade é utilizado como perfumaria, ou seja, com a finalidade de produzir uma falsa consciência à sociedade de que os governos e as grandes corporações estão realmente preocupados com as causas ambientais.

Já foi veiculado na imprensa que a FIFA está isenta de arcar com aproximadamente R$ 1 bilhão em impostos, e que estima ter uma arrecadação liquida total de R$ 10 bilhões de reais, 101% a mais do que arrecadado na Copa de 2006 realizada na Alemanha. Fica evidente que a “causa ambientalista” é mais uma falácia ideológica para legitimar a grande política do “pão e circo”. 

Diante do cenário apresentado, torna-se adequado concluir este post com uma paródia da célebre frase do livro “Quincas Borbas” de Machado de Assis: “Aos vencedores, o lucro. Aos tatus-bolas, as batatas”.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Isto é ser humano?


Cléder Aparecido Santa-Fé
casantafe83@gmail.com

É com muita preocupação que escrevo este post. Em menos de duas semanas, o noticiário nacional veiculou dois casos de linchamento, com o agravante, de terem sido cometidos contra pessoas inocentes.
Para quem leu o artigo "Gentilezas da TV", de autoria de Fabio Augusto, ficou evidente que a principal função dos meios de comunicação seria o de promover uma programação educativa e de utilidade pública, porém esta diretriz se tornou um "favor" e estes meios estão engendrando com mais frequência uma cultura da imbecilidade e da intolerância com o semelhante.
Meu irmão Santa Fé postou em sua rede social uma reflexão pertinente acerca das distorções dos direitos sociais e individuais garantidos em nossa constituição cidadã, e que diante da ausência ou indiferença do tripé Estado, Família e Escola está sendo germinado um perigoso retrocesso para o estado de todos contra todos hobbesiano, no qual o rompimento do contrato social é justificado pelas mazelas produzidas pela política brasileira, principalmente pelos casos de corrupção, de impunidade e da perpetuação das desigualdades.
Diante da síntese de barbárie que presenciamos nos últimos dias fica evidente a necessidade urgente de repensarmos, enquanto cidadãos, a qualidade dos serviços públicos oferecidos pelo Estado, no qual predomina um discurso hipócrita de formação cidadã e humanizadora, assim como o nível cultural veiculado pelos meios de comunicação, no qual está imperando um processo de esvaziamento do ser humano.
Deste modo, a realidade está mostrando sua face perigosa, putrefata, fascista e nada animadora às gerações futuras e se não acordarmos a tempo será tarde demais.


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Joe Strummer - Punk Rock Experimental


Boa noite a todos!

Estou postando uma música do Joe Strummer que sintetiza o quanto esse artista foi importante para música mundial, principalmente no movimento punk, já que ousou trabalhar vários outros ritmos em sua discografia. 

Em suma, esse grande artista contribuiu significativamente para que as músicas do The Clash, assim como seus trabalhos posteriores ficassem  para posteridade.

Tenham todos uma boa semana e espero que gostem do vídeo.

Abraços

Cléder


domingo, 13 de outubro de 2013

Novos Tempos?

Cléder Aparecido Santa-Fé
Contato: casantafe83@gmail.com

Prezados leitores!

É de conhecimento da maioria, por meio de vinculação nos noticiários, a dificuldade encontrada pelos adeptos do novo partido denominado "Rede Sustentabilidade" no seu processo de legalização junto ao TSE. O mais intrigante de tudo isso não é a aliança forçada com o PSB, ou como diria a própria Marina Silva, o plano C à disputa do pleito presidencial, mas sim a prevaricação, até que ponto intencional, na regularização deste partido.

A REDE vem a público com a divulgação de novas propostas e enriquecimento do debate político em âmbito nacional, permitindo experienciar uma ótica para além da bigamia industrialista presentes nos atuais partidos dominantes deste país: PSDB e PT.

É evidente que há outros interesses na perpetuação da ilegalidade deste partido, pois, conforme foi dito pela própria Marina, alguns segmentos do mercado não seriam contemplados pelo partido, devido estes possuírem objetivos antagônicos às diretrizes partidárias estabelecidas pela REDE.

Em suma, a "ilegalidade" da REDE se constitui em um retrocesso político, visto que os cidadãos não terão a escolha de conhecerem os novos conceitos políticos emergentes, ficando o debate centralizado nas diretrizes estabelecidas pelas duas maiores legendas deste país.

Qual é a sua opinião a respeito deste fato?


Abraço a todos e boa semana!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Fatos (A Consequência)


Cléder Aparecido Santa-Fé
Contato: casantafe83@gmail.com


É muito engraçado como os fatos na atualidade estão cada vez mais instantâneos e, de certa forma, aparentemente descartáveis.  Parece que vivenciamos constantemente o similar, visto que as notícias se repetem, levando ao ouvinte, telespectador e internauta manifestar sensações de indiferença, vazio e diversos outros sentimentos acerca dos acontecimentos do velho vasto mundo.

Em 2001, eu escrevi uma canção que aborda, quase em sua totalidade, o ser humano dos séculos XX e XXI. A atual humanidade está sendo frequentemente bombardeada com informações e, na maioria das vezes, as percepções destes fatos acabam sendo manipulados ou sem significado concreto ao destinatário da informação.  Nesse caos de acontecimentos, aparentemente sem ligação, existe uma idéia maior que embasa todo o significado dos fatos fragmentados e dissociados, caracterizando, portanto, os hábitos e costumes da nossa sociedade atual.

Diante disso, segue para apreciação de todos a canção intitulada “Fatos (A Consequência)” de minha autoria.

“FATOS (A consequência)” (Cléder Aparecido Santa Fé)

Os rumores da existência.
O álibi do inconsciente.
A existência de dois planos.
A criação e o criador.

A evolução da criatura.
A lógica da profecia.
O poder de sedução.
A psicanálise do ser.

A pluralidade das etnias.
A diversidade de opiniões.
O exemplo de sociedades.
O êxito da transição.

O epílogo da vida.
A utopia do aprender.
As fontes insaciáveis de consumo.
Os opostos que se atraem.

Existência, inconsciente,
Etnias, sociedades,
Sedução e consumo.

Bom final de semana a todos e até a próxima.