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sábado, 24 de outubro de 2015

Garimpo S - Programa Piloto - Blitz




E aí moçada???? Estamos disponibilizando o programa piloto do Canal Garimpo S, cujo objetivo é resgatar artistas nacionais e/ou internacionais e canções (sejam "hits" ou poderosos "lados B"). Em nosso primeiro programa, a joia resgatada vem do início dos anos 1980 e é a carioca banda Blitz, formada por: Evandro Mesquita, guitarra e voz; Fernanda Abreu, backing vocal; Marcia Bulcão, backing vocal; Ricardo Barreto, guitarra; Antônio Pedro Fortuna, baixo; William "Billy" Forghieri, teclados; e Lobão (depois substituído por Juba), bateria. Se você gostou deixe o seu like para fortalecer e estimular ainda mais o nosso canal. Bom divertimento!!! Um grande abraço!!!


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Polarização, desenvolvimento e o Brasil que queremos


Clóvis Santa Fé Junior*

Penso que é preciso apurar mais a análise, assim poderemos ver direito neste denso nevoeiro ideológico "vermelho" e "azul" que se abateu sobre a sociedade brasileira. Primeiro ponto é compreender que PT e PSDB são de extração social-democrata. A origem de ambos está na Social democracia europeia, que tem como signo não a revolução, mas a ideia de reforma do Estado. Neste sentido, o PSDB tentou fazê-lo através de uma reforma gerencial (Estado Mínimo) e o PT nada propôs, pois manteve todos os liames de um Estado Patrimonialista. 

A prova disso são suas alianças à direita (Sarney, Maluf, Collor, Marco Feliciano, entre outros). Ambos, portanto, não conseguiram reformar o Estado que continua com as velhas elites e oligarquias de sempre. Portanto, até aqui 0 a 0, "e esse jogo não pode ser 1 a 1" como diz a canção.

No que diz respeito a benefícios sociais temos que ter a humildade de reconhecer que o Plano Real (criado durante o governo Itamar Franco e depois conduzido pelo governo FHC) trouxe sim grandes benefícios sociais ao colocar sob controle o "Dragão da Inflação". Eu vivi as décadas de 1970, 1980 e 1990 para saber a diferença estrutural que significou isso. E, detalhe, sendo petista. O problema da inflação era tão grave que pessoas se suicidaram quando Collor confiscou a poupança de toda população dizendo ser uma ação necessária para se controlar a inflação. Também temos de ter humildade e reconhecer que a Bolsa Família também trouxe grandes benefícios sociais, pois incluiu mais de trinta milhões de brasileiros que estavam abaixo da linha da pobreza. 

É um mérito verdadeiro do PT, embora a ideia do programa tenha vindo do governador Marconi Perillo (PSDB), que propôs para o presidente Lula a unificação dos doze programas sociais do PSDB (o Bolsa-Alimentação, PETI [Programa de Erradicação do Trabalho Infantil], o Bolsa-Escola, o Brasil Jovem e o Vale-Gás) num "cadastro único" (que já estava em construção no final da gestão FHC, conforme matéria da Folha na época e que pode ser lida nesse link. Ponto para o Lula, que ouviu Perillo e abandonou o "Fome Zero" - o programa social original do PT. Mas sendo justo, aqui também temos o empate 1 a 1 (Plano Real-PSDB/Bolsa Família-PT), "e esse jogo não pode ser 1 a 1" como continua dizendo a canção.

Quando se trabalha com o conceito de hegemonia em Gramsci, faz-se necessário tomar cuidado e lembrar que Gramsci o estabelece como conceito desde que opere por meio da chamada "grande política", por ser esta a que permite a sociedade civil se organizar de forma progressista. Infelizmente, não foi isso o que vi nos doze anos de PT até agora. Pela tal "governabilidade" - e seguindo o "irmão" PSDB que se aliou ao PFL (depois Democratas) - o Partido dos Trabalhadores se rendeu à "pequena política" (a seara dos interesses mais vis) que manteve o "campo hegemônico" das elites oligárquica e empresarial do país, ou seja, não tornou o povo organizado e protagonista, só o adestrou através dos programas sociais. O que para mim é gravíssimo, pois cria o "imobilismo" que tanto criticávamos e debatíamos em nosso tempo de universidade, no qual nossos professores revelavam a incapacidade (ou seria impedimento?!?) do povo de participar da gestão pública uma vez que todas as transformações sociais de relevo se deram/dão sempre "pelo alto" (de cima para baixo). 

Aí é impossível não se lembrar de Weber, que diz: "em política nem todo o bem faz o bem e nem todo o mal faz o mal, às vezes o bem faz o mal e o mal faz o bem". Neste sentido, a falta de política com "P maiúsculo" em todos esses anos só contribuiu/contribui para a ascensão das "forças conservadoras" mais "reacionárias".

De certa forma é o que estamos assistindo como resultado dessa polarização esquizoide PT X PSDB. Vejo que com relação às demandas populares, cada um do seu jeito, ambos atenderam o que era necessário e possível (?) em seus momentos - Plano Real/Bolsa Família. No quesito aumento de vagas em Universidades Federais, ENEM, aumento de financiamento da educação e o estabelecimento de varias leis inclusivas e afirmativas, como a lei de cotas, a lei Maria da Penha, o Estatuto do Idoso, dentre outros, o ponto é do PT, mas não podemos esquecer que na gestão tucana também houve o início dessas ações inclusivas ao tratar a AIDS como uma questão de Estado e a outorga da Lei do "medicamento genérico" barateando o custo dos remédios principalmente para os aposentados, os que mais se valem das farmácias no "controle" das doenças típicas dessa etapa de suas vidas. E o PT poderia ter feito mais nesse quesito se não fossem as "alianças espúrias" que conduziram Marco Feliciano a se tornar presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias na Câmara dos Deputados. PIADA PRONTA ESSA!

No que diz respeito à Marina Silva, há aqueles que a "condenam" mas não consigo ver no que ela possa ter manchado a sua história como dizem. Se assim fosse, o que representaria o "aperto de mão" de Lula e Maluf?!? Não consigo entender por que as alianças petistas merecem o direito a uma "relativização" e dos demais "atores políticos" se cobra um "purismo político" até ingênuo no mundo da política onde só tem "cobra criada". 

A meu ver, Marina optou em tentar "minar" essa polarização ao apoiar o Aécio, percebendo o quão daninha a polarização é para o Brasil já que nosso país não é "Vermelho" ou "Azul"; e sim, um país com uma imensa diversidade humana e cultural. Foi uma escolha dela e que foi muito pautada pela "desconstrução" de "baixo nível" que o PT dedicou à candidatura dela. 

A verdade é que cada um jogou com aquilo que tinha em mãos; e o PT sagrou-se vencedor. O problema, no entanto, continua sendo o "projeto de país" que se quer para o futuro, o qual deverá ter condições para "sustentar" garantindo todo esse processo massivo de "inclusão social", não se tornando afinal um arremedo da frase marxista que diz "tudo que é sólido se desmancha no ar".

Esse é o meu ponto central de discussão. O "projeto desenvolvimentista" em curso (e que seria muito similar caso o PSDB estivesse no governo) é o melhor para assegurar tudo isso que foi debatido aqui (e mais um pouco) no médio e no longo prazo? Penso que não! O Mundo está mudando rápido, outros interesses estão gradativamente se tornando hegemônicos e esse "desenvolvimentismo" não dá conta de posicionar o Brasil no novo mundo global e em rede (termo caro a Castells) que já se desenha. 

A Petrobras não deveria ser o foco de nossa atenção, por exemplo. Não deveríamos abdicar jamais de criarmos novas tecnologias e matrizes energéticas mais limpas. Temos a condição de sermos o "celeiro do mundo", mas qual é a política pública (e o investimento federal) para desenvolver as tecnologias desse setor? Estou falando de "tecnologia agrícola" produzida pela EMBRAPA, por exemplo, e que preserve o que resta de nossas florestas. Mas para tal não basta dar acesso democrático às universidades, é preciso fazer isso e manter a qualidade.

É preciso desenvolver uma cidadania de alta intensidade. Dito de outra forma, precisamos reverter os resultados BEM NEGATIVOS do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) para garantir que tenhamos cabeças pensantes para produzir o país que queremos nesse futuro tão próximo. Para tanto, é preciso uma revolução infraestrutural e ética em setores estratégicos importantes como a EDUCAÇÃO (em todas as etapas), CIÊNCIA E TECNOLOGIA, entre outros. Isso só para começarmos a pensar um Brasil mais justo e que garanta conquistas sociais e ambientais. Essa polarização entre PT e PSDB, que divide artificialmente o Brasil, infelizmente eclipsa o principal que é o Brasil do amanhã.

*É mestre em Sociologia pelo programa de Pós-graduação em Sociologia da UNESP/FCLAr e docente da Faculdade de Tecnologia de Sertãozinho (FATEC) nas disciplinas “Sociedade, Tecnologia e Inovação” e “Sociologia das Organizações” do curso de Tecnologia em Gestão Empresarial: Processos Gerenciais.

domingo, 24 de novembro de 2013

Indust-realidade



Clóvis Santa Fé Junior
clovis.santafejr@ig.com.br

Recomendo fortemente que vejam este vídeo e reflitam sobre o modo de vida que estamos levando. Há várias implicações que poderia levantar aqui, mas uma das principais está relacionada com o provérbio "o que os olhos não vêem o coração não sente". Estamos nos tornando de todo insensíveis? Isso pode se virar contra nós?

Esse vídeo expõe bem a discussão final do texto "A Técnica", em que discutimos na FATEC - Sertãozinho algumas constatações propostas pela Teoria Crítica Frankfurtiana (representada principalmente por Horkheimer, Adorno e Marcuse) sobre nossa sociedade administrada pela razão instrumental e não pela razão vital. Essa mesma discussão me faz lembrar como os irmãos Wachowski (criadores do Filme Matrix) possuem certa genialidade ao problematizarem em seus filmes essa questão da "insensibilidade" trazida por uma sociedade tecnológica. Em Matrix, principalmente na cena em que mostram que os seres humanos não nascem mas são cultivados muito semelhante aos porcos neste vídeo. E em seu novo filme, "A Viagem" (Cloud Atlas), os irmãos retomam esse questionamento mostrando o que se fazia com as garçonetes da Nova Seul de 2113.

Aí está o perigo de uma sociedade altamente tecnológica, a desumanização completa. E, por este motivo, a questão da Liberdade tratada em seus filmes se torna primordial. Liberdade ali é sensibilidade, colocar-se no lugar da diferença, no lugar do outro. O problema essencial então que procuram apontar é que nossa insensibilidade - nutrida por uma tecnologia produzida por uma sociedade que mais aliena do que liberta - pode crescer a um ponto de criarmos duas categorias de humanos: humanos (ricos) e sub-humanos (pobres).

Daí o que acontecer aos seres humanos de 2ª categoria não terá a mínima importância. Por isso, a importância da discussão de Alvin Toffler sobre o surgimento da civilização de Terceira Onda e qual o lado que apoiamos. Baseando-me nele posso afirmar que o que se vê neste vídeo é o pensamento de 2ª Onda se realizando concretamente.

Não há espaço aqui para o "espanto filosófico", só padronização, padronização e padronização. Mas creio ainda haver tempo para fazer diferente e colocar a tecnologia (Razão Instrumental) submissa aos princípios da Razão Vital. Por isso os rumos da Política daqui para frente (uma nova política?) será crucial como nunca antes. Que tal refletirmos sobre isso? 

Abraço a todos!

terça-feira, 25 de junho de 2013

“A DEMOCRACIA COMO VALOR UNIVERSAL”


Clóvis Santa Fé Jr[1]

Começo meu texto me apropriando do título do ensaio do saudoso filósofo político Carlos Nelson Coutinho —  um dos textos que li durante a faculdade e que me impactou profundamente  —  para discorrer sobre os últimos eventos envolvendo as manifestações populares que tomam as ruas de todo o país, das quais tanto me alegro mas também me preocupam. E faço isso não por acaso, mas pela necessidade urgente de que pensemos os “caminhos” que essas passeatas estão tomando, perpassadas pelo “ressentimento” e até por uma certa intolerância. 

É certo a existência de uma crise de nossas instituições políticas, que parece revelar a falência da forma “partido” como mecanismo de representação política dos anseios dos vários segmentos que compõem a sociedade como um todo. Isso fica muito claro em frases de efeito que aparecem pintadas nos diversos cartazes e/ou faixas dos manifestantes, como por exemplo, “nenhum Partido me representa” ou “nem esquerda nem direita, eu quero seguir em frente”. Para mim, ser “apartidário” não obriga que o mundo seja também e vice-versa. Já disse uma vez que o mundo das "plenas certezas" é solo fértil para pensamentos totalitários. 

Quando lidamos com o conceito “democracia”, que pressupõe “liberdade de expressão e pensamento”, é preciso respeitar a existência das diferentes formas de pensar o mundo, mesmo que não concordemos com elas. Daí a importância do “Estado Laico”, o qual ao separar o Estado da religião busca garantir a pluralidade de pensamento, crenças (liberdade de culto), ideologias etc. 

Neste sentido, a participação de partidos políticos, que historicamente sempre defenderam causas progressistas, é importante, para não dizer crucial, mesmo que isso se dê de forma “oportunista” num primeiro momento. Impedir a participação nas manifestações de rua das pessoas que possuem ideologia partidária abre caminho para algo mais perigoso, ou seja, o “pensamento totalitário”. Penso que na luta por um Brasil melhor cabe o diálogo com todas as forças progressistas, sejam elas partidárias ou não. E não conseguiremos isso levando a destruição dos canais políticos de diálogo. Dito de outra forma, unidos em nossas reivindicações somos mais fortes do que lutando “uns contra os outros”. 

Digo isso porque “onde o diálogo cala a intolerância em suas múltiplas formas ruge”. Também se faz necessário que façamos uma reflexão cuidadosa no que diz respeito ao surgimento de “pautas espúrias”, como as que pedem o “Impeachment da Dilma” ou ainda uma “intervenção militar”. Essas são reivindicações perigosas e ilegítimas, que grupos com interesse em promover a instabilidade das instituições democráticas estão tentando implantar como pauta principal das manifestações; buscam assim se beneficiarem no final desse processo tomando e/ou manipulando o poder às custas da inocência popular. A Presidente em exercício foi eleita de forma legítima e deve permanecer no cargo até completar o seu mandato mesmo que não gostemos de sua gestão. A desaprovação da presidente deve ser revelada nas próximas eleições através do voto democrático. Isso é a democracia. E não se enganem, essas “reivindicações” (refiro-me ao “impeachment” e a “intervenção militar”) não tornam nossa democracia mais efetiva (e/ou melhor) como fazem imaginar. 

Ao contrário, elas alargam a crise institucional de nossa jovem democracia, e não podemos retroceder nas conquistas que o nosso país conseguiu nos últimos 28 anos (eleições diretas, liberdades democráticas, etc.). Portanto, se o movimento que ocupa as ruas do país não tiver uma agenda clara, pessoas organizadas (que seja até como “associações de bairro” e não “ajuntadas” como estão) e disposição para negociar politicamente a reivindicação dos direitos, caminharemos para a instabilidade do regime democrático. Neste sentido, a possibilidade do retorno de um regime autoritário, seja civil ou militar, passará a ser um dado concreto no horizonte (o qual repúdio totalmente só em pensar em tal possibilidade!!!). Vivemos um momento lindo da história brasileira mas grave devido a nossa fragilidade institucional posta em xeque; um momento em que o povo ocupa as ruas como nunca pensamos ser possível, mas que agora clama por algo inovador, isto é, que as pessoas (incrédulas com os partidos) se organizem em organizações e/ou associações de novo tipo para assumir com outras organizações (partidárias ou não) a interlocução com os governos federal, estadual e municipal e tornar concretas as reivindicações hoje legítimas. As redes sociais na internet mostraram sua importância, cabe a nós agora acrescentá-las de forma inovadora no diálogo democrático com quem nos representa. 

Um novo Brasil e novas instituições democráticas podem estar nascendo a partir desse poderoso “experimento político” que estamos vivenciando, porém “é preciso o cuidado de não jogarmos o bebê junto com a água do banho”. 

Sejam bem-vinda “vozes das ruas”, nossa jovem democracia sentiu muito sua falta!!!


[1] É mestre em Sociologia pelo programa de Pós-graduação em Sociologia da UNESP/FCLAr e docente da Faculdade de Tecnologia de Sertãozinho (FATEC) nas disciplinas “Sociedade, Tecnologia e Inovação” e “Sociologia das Organizações” do curso de Tecnologia em Gestão Empresarial: Processos Gerenciais.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O Rock "Politizado" Brasileiro dos Anos 80 - Matéria Jornal Unesp



O sentimento de uma geração
Sociólogo estuda rebeldia do rock nos anos 80

A explosão do rock nacional, na década de 80, influenciou não só toda uma geração de jovens, como contribuiu para o processo de reabertura política no Brasil. A atitude politizada e contestadora de bandas como Ira!, Ultraje a Rigor, Plebe Rude e Legião Urbana, assim como o crescimento do movimento punk nos subúrbios paulistanos no período, ultrapassou o universo musical e incentivou adolescentes de todo o País a reagir contra a repressão imposta pela ditadura militar. 

Segundo o sociólogo Clóvis Santa Fé Júnior, autor da dissertação de mestrado “Rock Politizado Brasileiro dos anos 80”, apresentada na Faculdade de Ciências e Letras da UNESP, campus de Araraquara, as canções engajadas do período serviram como forma de conscientização para uma juventude que, às vésperas da redemocratização, com as campanhas das Diretas Já, assistia à tão sonhada liberdade de expressão tornar-se uma realidade. Santa Fé, orientado em seu trabalho pelo cientista social Marcelo Siqueira Ridenti, então docente da UNESP e hoje na Unicamp, explica que, após um período de mais de 20 anos submetidos à repressão dos militares, os jovens, influenciados por essa nova geração de roqueiros, começaram, pouco a pouco, a buscar e a reaprender o conceito de democracia, solapado desde o golpe de 1964. “Nos anos 80 os roqueiros dirigiam suas críticas a diversos setores da sociedade, como a política, a economia e o comportamento”, afirma. 

Uma das principais preocupações do sociólogo foi resgatar o ponto de vista das bandas e do público nos anos 80. Por isso, Santa Fé preferiu não entrevistar os roqueiros da época já que, segundo ele, após vinte anos, grande parte não conservava mais a mesma rebeldia. Seu trabalho foi baseado em pesquisas em diversos materiais remanescentes da época, principalmente publicações especializadas em música, como as revistas Bizz e Roll, em edições de 1985 a 1990. “Esse material me ajudou a retratar aquilo que pensavam os roqueiros e o público nesse período”, afirma.

A participação da indústria cultural no segmento do rock também é enfocada por Santa Fé. 

“As bandas dos anos 80 conseguiam traduzir a realidade e a angústia vivida pelos jovens, principalmente os urbanos. Por isso, elas foram consideradas pelas gravadoras como um investimento seguro e lucrativo”, afirma. “Nessa época, o rock realmente se popularizou e vendeu muitos discos, mas, com o tempo, aquele espírito crítico e contestador acabou se perdendo, ou pelo menos, tornou-se menos explícito.” (Veja quadro.)

O sociólogo acrescenta que embora o segmento politizado do rock nos anos 80 tenha nascido em um circuito musical alternativo, “feito por jovens para os jovens”, muitos grupos e artistas aderiram ao esquema comercial das gravadoras com a desculpa de que, por meio delas, suas mensagens poderiam ser veiculadas com mais facilidade. “Isso ajudou o processo de massificação da música no Brasil, que, para se consolidar, ainda precisava atingir o público jovem”, conclui Santa Fé.

Contestação permanece
Vocalista do Ira elogia bandas como O Rappa

Ao que parece, as mensagens engajadas e contestadoras que marcaram muitos dos sucessos das bandas nacionais na década de 1980 não têm a mesma importância para o cenário do rock brasileiro atual. Segundo o sociólogo Clóvis Santa Fé, os hits de maior popularidade entre os jovens no País são, em sua maioria, comerciais e descompromissados com causas políticas e sociais. Para ele, a conquista definitiva da liberdade de expressão, o combate ao preconceito e a consolidação do espaço para a música jovem no País foi a grande herança dos grupos dos anos 80 para essa geração do rock. “O lema punk do it your self – ‘Faça você mesmo!’ –, que influenciou grande parte das bandas daquela época, não foi abandonado e, graças a ele, o circuito musical alternativo vem crescendo e dando origem a novos grupos e selos independentes”, afirma. 

Para Nasi, vocalista da banda Ira!, apesar das imposições por parte da indústria fonográfica, a cena do rock nacional entre as décadas de 1990 e 2000 também rendeu bons frutos. Segundo ele, bandas como O Rapa, Planet Hemp e Nação Zumbi, são inovadoras e retratam com clareza a realidade atual no Brasil. “Bandas como essas representam, para a geração atual, aquele espírito contestador do Rock nos anos 80”, afirma. “Uma alternativa não só para os novos grupos musicais, mas também para o público, são as rádios comunitárias”, afirma. 

Otimista em relação ao futuro da música e do rock no Brasil, Nasi acrescenta que o verdadeiro talento é capaz de ultrapassar qualquer barreira. “Quando comecei a tocar nunca imaginei que o rock se tornaria uma espécie de indústria”, afirma. “Mas tenho esperanças. No filme Jurassic Park, de Steven Spielberg, há uma frase que diz ‘A vida encontrará um caminho’. Acredito que o mesmo acontece com a música”, compara. “No momento, o rap vem sendo o agente de contestação mais contundente da música brasileira.”

domingo, 27 de maio de 2012

"Para nossa alegria" vs "Movimento dos Indignados"

Clóvis Santa Fé Junior
http://www.facebook.com/profile.php?id=100003092181950

Bom dia, Povo!!! No dia 9 de maio postei uma imagem no meu mural na qual se podia ver que países árabes saiam as ruas reivindicando direitos democráticos, enquanto os brasileiro dançam ao som do "eu quero Tchuuu" proposto por nosso galático Neymar.
Pois bem. Para quem não entendeu a proposta de reflexão daquele meu mural, aproveito então para postar o link de uma notícia em castelhano (mesmo para quem não lê espanhol dá para compreender a maior parte do texto da notícia, apresentando fotos interessantes) mostrando o "Movimento dos Indignados", em várias partes do mundo, indo às ruas novamente, como foi feito em maio de 2011, para protestar contra a crise econômica que assola o mundo gerando miséria e desemprego. O que eles reivindicam? Reivindicam uma ordem social mais justa e igualitária, em que o povo não pague mais a conta da farra de banqueiros e corporações.
E o Brasil, saímos às ruas para protestar contra os juros escorchantes que nos são cobrados? Olhe a fatura de seu cartão de crédito veja quanto lhe é cobrado de juros se precisar cair no crédito rotativo. Nossa presidenta anuncia a diminuição dos juros, mas os bancos privados afirmam não poder praticar esses juros. E nós povo brasileiro o que fazemos?
Esse post é então "PARA NOSSA ALEEEGRIIIIIIAAAAA"!!! O link da notícia é o http://blogln.ning.com/profiles/blogs/un-d-a-que-estremece-al-mundo?xg_source=facebookshare e merece ser lido. Agradeço ao meu ex-aluno do curso de História, Paulo Cesar Prado, pelo compartilhamento.
Abraços.