E aí moçada???? Estamos disponibilizando o programa piloto do Canal Garimpo S, cujo objetivo é resgatar artistas nacionais e/ou internacionais e canções (sejam "hits" ou poderosos "lados B"). Em nosso primeiro programa, a joia resgatada vem do início dos anos 1980 e é a carioca banda Blitz, formada por: Evandro Mesquita, guitarra e voz; Fernanda Abreu, backing vocal; Marcia Bulcão, backing vocal; Ricardo Barreto, guitarra; Antônio Pedro Fortuna, baixo; William "Billy" Forghieri, teclados; e Lobão (depois substituído por Juba), bateria. Se você gostou deixe o seu like para fortalecer e estimular ainda mais o nosso canal. Bom divertimento!!! Um grande abraço!!!
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sábado, 24 de outubro de 2015
Garimpo S - Programa Piloto - Blitz
E aí moçada???? Estamos disponibilizando o programa piloto do Canal Garimpo S, cujo objetivo é resgatar artistas nacionais e/ou internacionais e canções (sejam "hits" ou poderosos "lados B"). Em nosso primeiro programa, a joia resgatada vem do início dos anos 1980 e é a carioca banda Blitz, formada por: Evandro Mesquita, guitarra e voz; Fernanda Abreu, backing vocal; Marcia Bulcão, backing vocal; Ricardo Barreto, guitarra; Antônio Pedro Fortuna, baixo; William "Billy" Forghieri, teclados; e Lobão (depois substituído por Juba), bateria. Se você gostou deixe o seu like para fortalecer e estimular ainda mais o nosso canal. Bom divertimento!!! Um grande abraço!!!
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
Polarização, desenvolvimento e o Brasil que queremos
Clóvis Santa Fé Junior*
Penso que é preciso
apurar mais a análise, assim poderemos ver direito neste denso nevoeiro
ideológico "vermelho" e "azul" que se abateu sobre a
sociedade brasileira. Primeiro ponto é compreender que PT e PSDB são de
extração social-democrata. A origem de ambos está na Social democracia
europeia, que tem como signo não a revolução, mas a ideia de reforma do Estado.
Neste sentido, o PSDB tentou fazê-lo através de uma reforma gerencial (Estado
Mínimo) e o PT nada propôs, pois manteve todos os liames de um Estado
Patrimonialista.
A prova disso são suas alianças à direita (Sarney, Maluf,
Collor, Marco Feliciano, entre outros). Ambos, portanto, não conseguiram
reformar o Estado que continua com as velhas elites e oligarquias de sempre.
Portanto, até aqui 0 a 0, "e esse jogo não pode ser 1 a 1" como diz a
canção.
No que diz respeito a
benefícios sociais temos que ter a humildade de reconhecer que o Plano Real
(criado durante o governo Itamar Franco e depois conduzido pelo governo FHC)
trouxe sim grandes benefícios sociais ao colocar sob controle o "Dragão da
Inflação". Eu vivi as décadas de 1970, 1980 e 1990 para saber a diferença
estrutural que significou isso. E, detalhe, sendo petista. O problema da
inflação era tão grave que pessoas se suicidaram quando Collor confiscou a
poupança de toda população dizendo ser uma ação necessária para se controlar a
inflação. Também temos de ter humildade e reconhecer que a Bolsa Família também
trouxe grandes benefícios sociais, pois incluiu mais de trinta milhões de
brasileiros que estavam abaixo da linha da pobreza.
É um mérito verdadeiro do
PT, embora a ideia do programa tenha vindo do governador Marconi Perillo
(PSDB), que propôs para o presidente Lula a unificação dos doze programas
sociais do PSDB (o Bolsa-Alimentação, PETI [Programa de Erradicação do Trabalho
Infantil], o Bolsa-Escola, o Brasil Jovem e o Vale-Gás) num "cadastro
único" (que já estava em construção no final da gestão FHC, conforme
matéria da Folha na época e que pode ser lida nesse link. Ponto para o Lula, que ouviu Perillo e abandonou o
"Fome Zero" - o programa social original do PT. Mas sendo justo, aqui
também temos o empate 1 a 1 (Plano Real-PSDB/Bolsa Família-PT), "e esse
jogo não pode ser 1 a 1" como continua dizendo a canção.
Quando se trabalha com o
conceito de hegemonia em Gramsci, faz-se necessário tomar cuidado e lembrar que
Gramsci o estabelece como conceito desde que opere por meio da chamada
"grande política", por ser esta a que permite a sociedade civil se
organizar de forma progressista. Infelizmente, não foi isso o que vi nos doze
anos de PT até agora. Pela tal "governabilidade" - e seguindo o
"irmão" PSDB que se aliou ao PFL (depois Democratas) - o Partido dos
Trabalhadores se rendeu à "pequena política" (a seara dos interesses
mais vis) que manteve o "campo hegemônico" das elites oligárquica e
empresarial do país, ou seja, não tornou o povo organizado e protagonista, só o
adestrou através dos programas sociais. O que para mim é gravíssimo, pois cria
o "imobilismo" que tanto criticávamos e debatíamos em nosso tempo de
universidade, no qual nossos professores revelavam a incapacidade (ou seria
impedimento?!?) do povo de participar da gestão pública uma vez que todas as
transformações sociais de relevo se deram/dão sempre "pelo alto" (de
cima para baixo).
Aí é impossível não se lembrar de Weber, que diz: "em
política nem todo o bem faz o bem e nem todo o mal faz o mal, às vezes o bem faz
o mal e o mal faz o bem". Neste sentido, a falta de política com "P
maiúsculo" em todos esses anos só contribuiu/contribui para a ascensão das
"forças conservadoras" mais "reacionárias".
De certa forma é o que
estamos assistindo como resultado dessa polarização esquizoide PT X PSDB. Vejo
que com relação às demandas populares, cada um do seu jeito, ambos atenderam o
que era necessário e possível (?) em seus momentos - Plano Real/Bolsa Família.
No quesito aumento de vagas em Universidades Federais, ENEM, aumento de
financiamento da educação e o estabelecimento de varias leis inclusivas e
afirmativas, como a lei de cotas, a lei Maria da Penha, o Estatuto do Idoso,
dentre outros, o ponto é do PT, mas não podemos esquecer que na gestão tucana
também houve o início dessas ações inclusivas ao tratar a AIDS como uma questão
de Estado e a outorga da Lei do "medicamento genérico" barateando o
custo dos remédios principalmente para os aposentados, os que mais se valem das
farmácias no "controle" das doenças típicas dessa etapa de suas
vidas. E o PT poderia ter feito mais nesse quesito se não fossem as
"alianças espúrias" que conduziram Marco Feliciano a se tornar
presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias na Câmara dos Deputados.
PIADA PRONTA ESSA!
No que diz respeito à
Marina Silva, há aqueles que a "condenam" mas não consigo ver no que
ela possa ter manchado a sua história como dizem. Se assim fosse, o que
representaria o "aperto de mão" de Lula e Maluf?!? Não consigo
entender por que as alianças petistas merecem o direito a uma
"relativização" e dos demais "atores políticos" se cobra um
"purismo político" até ingênuo no mundo da política onde só tem
"cobra criada".
A meu ver, Marina optou em tentar "minar"
essa polarização ao apoiar o Aécio, percebendo o quão daninha a polarização é
para o Brasil já que nosso país não é "Vermelho" ou "Azul";
e sim, um país com uma imensa diversidade humana e cultural. Foi uma escolha
dela e que foi muito pautada pela "desconstrução" de "baixo
nível" que o PT dedicou à candidatura dela.
A verdade é que cada um jogou
com aquilo que tinha em mãos; e o PT sagrou-se vencedor. O problema, no
entanto, continua sendo o "projeto de país" que se quer para o
futuro, o qual deverá ter condições para "sustentar" garantindo todo
esse processo massivo de "inclusão social", não se tornando afinal um
arremedo da frase marxista que diz "tudo que é sólido se desmancha no
ar".
Esse é o meu ponto
central de discussão. O "projeto desenvolvimentista" em curso (e que
seria muito similar caso o PSDB estivesse no governo) é o melhor para assegurar
tudo isso que foi debatido aqui (e mais um pouco) no médio e no longo prazo?
Penso que não! O Mundo está mudando rápido, outros interesses estão
gradativamente se tornando hegemônicos e esse "desenvolvimentismo"
não dá conta de posicionar o Brasil no novo mundo global e em rede (termo caro
a Castells) que já se desenha.
A Petrobras não deveria ser o foco de nossa
atenção, por exemplo. Não deveríamos abdicar jamais de criarmos novas
tecnologias e matrizes energéticas mais limpas. Temos a condição de sermos o
"celeiro do mundo", mas qual é a política pública (e o investimento
federal) para desenvolver as tecnologias desse setor? Estou falando de
"tecnologia agrícola" produzida pela EMBRAPA, por exemplo, e que
preserve o que resta de nossas florestas. Mas para tal não basta dar acesso
democrático às universidades, é preciso fazer isso e manter a qualidade.
É preciso desenvolver
uma cidadania de alta intensidade. Dito de outra forma, precisamos reverter os
resultados BEM NEGATIVOS do PISA (Programa Internacional de Avaliação de
Estudantes) para garantir que tenhamos cabeças pensantes para produzir o país
que queremos nesse futuro tão próximo. Para tanto, é preciso uma revolução
infraestrutural e ética em setores estratégicos importantes como a EDUCAÇÃO (em
todas as etapas), CIÊNCIA E TECNOLOGIA, entre outros. Isso só para começarmos a
pensar um Brasil mais justo e que garanta conquistas sociais e ambientais. Essa
polarização entre PT e PSDB, que divide artificialmente o Brasil, infelizmente
eclipsa o principal que é o Brasil do amanhã.
*É mestre em Sociologia pelo programa de Pós-graduação em Sociologia da UNESP/FCLAr e docente da Faculdade de Tecnologia de Sertãozinho (FATEC) nas disciplinas “Sociedade, Tecnologia e Inovação” e “Sociologia das Organizações” do curso de Tecnologia em Gestão Empresarial: Processos Gerenciais.
domingo, 24 de novembro de 2013
Indust-realidade
Clóvis Santa Fé Junior
clovis.santafejr@ig.com.br
Recomendo fortemente que
vejam este vídeo e reflitam sobre o modo de vida que estamos levando. Há várias
implicações que poderia levantar aqui, mas uma das principais está relacionada
com o provérbio "o que os olhos não vêem o coração não sente".
Estamos nos tornando de todo insensíveis? Isso pode se virar contra nós?
Esse vídeo expõe bem a
discussão final do texto "A Técnica", em que discutimos na FATEC -
Sertãozinho algumas constatações propostas
pela Teoria Crítica Frankfurtiana (representada principalmente por Horkheimer,
Adorno e Marcuse) sobre nossa sociedade administrada pela razão instrumental e
não pela razão vital. Essa mesma discussão me faz lembrar como os irmãos
Wachowski (criadores do Filme Matrix) possuem certa genialidade ao
problematizarem em seus filmes essa questão da "insensibilidade"
trazida por uma sociedade tecnológica. Em Matrix, principalmente na cena em que
mostram que os seres humanos não nascem mas são cultivados muito semelhante aos
porcos neste vídeo. E em seu novo filme, "A Viagem" (Cloud Atlas), os
irmãos retomam esse questionamento mostrando o que se fazia com as garçonetes
da Nova Seul de 2113.
Aí está o perigo de uma
sociedade altamente tecnológica, a desumanização completa. E, por este motivo,
a questão da Liberdade tratada em seus filmes se torna primordial. Liberdade
ali é sensibilidade, colocar-se no lugar da diferença, no lugar do outro. O
problema essencial então que procuram apontar é que nossa insensibilidade -
nutrida por uma tecnologia produzida por uma sociedade que mais aliena do que
liberta - pode crescer a um ponto de criarmos duas categorias de humanos:
humanos (ricos) e sub-humanos (pobres).
Daí o que acontecer aos
seres humanos de 2ª categoria não terá a mínima importância. Por isso, a
importância da discussão de Alvin Toffler sobre o surgimento da civilização de
Terceira Onda e qual o lado que apoiamos. Baseando-me nele posso afirmar que o
que se vê neste vídeo é o pensamento de 2ª Onda se realizando concretamente.
Não há espaço aqui para
o "espanto filosófico", só padronização, padronização e padronização.
Mas creio ainda haver tempo para fazer diferente e colocar a tecnologia (Razão
Instrumental) submissa aos princípios da Razão Vital. Por isso os rumos da Política
daqui para frente (uma nova política?) será crucial como nunca antes. Que tal
refletirmos sobre isso?
Abraço a todos!
terça-feira, 25 de junho de 2013
“A DEMOCRACIA COMO VALOR UNIVERSAL”
Clóvis Santa Fé Jr[1]
Começo meu texto me
apropriando do título do ensaio do saudoso filósofo político Carlos Nelson
Coutinho — um dos textos que li durante a
faculdade e que me impactou profundamente — para discorrer sobre os últimos eventos
envolvendo as manifestações populares que tomam as ruas de todo o país, das quais
tanto me alegro mas também me preocupam. E faço isso não por acaso, mas pela
necessidade urgente de que pensemos os “caminhos” que essas passeatas estão
tomando, perpassadas pelo “ressentimento” e até por uma certa intolerância.
É
certo a existência de uma crise de nossas instituições políticas, que parece
revelar a falência da forma “partido” como mecanismo de representação política
dos anseios dos vários segmentos que compõem a sociedade como um todo. Isso
fica muito claro em frases de efeito que aparecem pintadas nos diversos
cartazes e/ou faixas dos manifestantes, como por exemplo, “nenhum Partido me
representa” ou “nem esquerda nem direita, eu quero seguir em frente”. Para mim, ser “apartidário” não obriga que
o mundo seja também e vice-versa. Já disse uma vez que o mundo das "plenas
certezas" é solo fértil para pensamentos totalitários.
Quando lidamos com o
conceito “democracia”, que pressupõe “liberdade de expressão e pensamento”, é
preciso respeitar a existência das diferentes formas de pensar o mundo, mesmo
que não concordemos com elas. Daí a importância do “Estado Laico”, o qual ao
separar o Estado da religião busca garantir a pluralidade de pensamento,
crenças (liberdade de culto), ideologias etc.
Neste sentido, a participação de
partidos políticos, que historicamente sempre defenderam causas progressistas,
é importante, para não dizer crucial, mesmo que isso se dê de forma
“oportunista” num primeiro momento. Impedir a participação nas manifestações de
rua das pessoas que possuem ideologia partidária abre caminho para algo mais
perigoso, ou seja, o “pensamento totalitário”. Penso que na luta por um Brasil
melhor cabe o diálogo com todas as forças progressistas, sejam elas partidárias
ou não. E não conseguiremos isso levando a destruição dos canais políticos de
diálogo. Dito de outra forma, unidos em nossas reivindicações somos mais
fortes do que lutando “uns contra os outros”.
Digo isso porque “onde o diálogo
cala a intolerância em suas múltiplas formas ruge”. Também se faz necessário
que façamos uma reflexão cuidadosa no que diz respeito ao surgimento de “pautas
espúrias”, como as que pedem o “Impeachment da Dilma” ou ainda uma “intervenção
militar”. Essas são reivindicações perigosas e ilegítimas, que grupos com
interesse em promover a instabilidade das instituições democráticas estão
tentando implantar como pauta principal das manifestações; buscam assim se
beneficiarem no final desse processo tomando e/ou manipulando o poder às custas
da inocência popular. A Presidente em
exercício foi eleita de forma legítima e deve permanecer no cargo até completar
o seu mandato mesmo que não gostemos de sua gestão. A desaprovação da
presidente deve ser revelada nas próximas eleições através do voto democrático.
Isso é a democracia. E não se enganem, essas “reivindicações” (refiro-me
ao “impeachment” e a “intervenção militar”) não tornam nossa democracia mais
efetiva (e/ou melhor) como fazem imaginar.
Ao contrário, elas alargam a crise
institucional de nossa jovem democracia, e não podemos retroceder nas
conquistas que o nosso país conseguiu nos últimos 28 anos (eleições diretas,
liberdades democráticas, etc.). Portanto, se o movimento que ocupa as ruas do
país não tiver uma agenda clara, pessoas organizadas (que seja até como
“associações de bairro” e não “ajuntadas” como estão) e disposição para negociar
politicamente a reivindicação dos direitos, caminharemos para a instabilidade
do regime democrático. Neste sentido, a possibilidade do retorno de um regime
autoritário, seja civil ou militar, passará a ser um dado concreto no horizonte
(o qual repúdio totalmente só em pensar em tal possibilidade!!!). Vivemos um
momento lindo da história brasileira mas grave devido a nossa fragilidade
institucional posta em xeque; um momento
em que o povo ocupa as ruas como nunca pensamos ser possível, mas que agora clama por algo inovador, isto
é, que as pessoas (incrédulas com os partidos) se organizem em organizações
e/ou associações de novo tipo para assumir com outras organizações (partidárias
ou não) a interlocução com os governos federal, estadual e municipal e tornar
concretas as reivindicações hoje legítimas. As redes sociais na internet
mostraram sua importância, cabe a nós agora acrescentá-las de forma inovadora
no diálogo democrático com quem nos representa.
Um novo Brasil e novas
instituições democráticas podem estar nascendo a partir desse poderoso “experimento
político” que estamos vivenciando, porém “é preciso o cuidado de não jogarmos o
bebê junto com a água do banho”.
Sejam bem-vinda “vozes das ruas”, nossa jovem
democracia sentiu muito sua falta!!!
[1]
É mestre em Sociologia pelo programa de Pós-graduação em Sociologia da UNESP/FCLAr e docente da Faculdade de Tecnologia de Sertãozinho (FATEC) nas
disciplinas “Sociedade, Tecnologia e Inovação” e “Sociologia das Organizações”
do curso de Tecnologia em Gestão Empresarial: Processos Gerenciais.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
O Rock "Politizado" Brasileiro dos Anos 80 - Matéria Jornal Unesp
O sentimento de uma geração
Sociólogo estuda rebeldia do rock nos anos 80
A explosão do rock nacional, na década de 80,
influenciou não só toda uma geração de jovens, como contribuiu para o processo
de reabertura política no Brasil. A atitude politizada e contestadora de bandas
como Ira!, Ultraje a Rigor, Plebe Rude e Legião Urbana, assim como o
crescimento do movimento punk nos subúrbios paulistanos no período, ultrapassou
o universo musical e incentivou adolescentes de todo o País a reagir contra a
repressão imposta pela ditadura militar.
Segundo o sociólogo Clóvis Santa Fé Júnior, autor da
dissertação de mestrado “Rock Politizado Brasileiro dos anos 80”, apresentada
na Faculdade de Ciências e Letras da UNESP, campus de Araraquara, as canções
engajadas do período serviram como forma de conscientização para uma juventude
que, às vésperas da redemocratização, com as campanhas das Diretas Já, assistia
à tão sonhada liberdade de expressão tornar-se uma realidade. Santa Fé,
orientado em seu trabalho pelo cientista social Marcelo Siqueira Ridenti, então
docente da UNESP e hoje na Unicamp, explica que, após um período de mais de 20
anos submetidos à repressão dos militares, os jovens, influenciados por essa
nova geração de roqueiros, começaram, pouco a pouco, a buscar e a reaprender o
conceito de democracia, solapado desde o golpe de 1964. “Nos anos 80 os
roqueiros dirigiam suas críticas a diversos setores da sociedade, como a
política, a economia e o comportamento”, afirma.
Uma das principais preocupações do sociólogo foi resgatar o
ponto de vista das bandas e do público nos anos 80. Por isso, Santa Fé preferiu
não entrevistar os roqueiros da época já que, segundo ele, após vinte anos,
grande parte não conservava mais a mesma rebeldia. Seu trabalho foi baseado em
pesquisas em diversos materiais remanescentes da época, principalmente
publicações especializadas em música, como as revistas Bizz e Roll, em edições
de 1985 a 1990. “Esse material me ajudou a retratar aquilo que pensavam os
roqueiros e o público nesse período”, afirma.
A participação da indústria cultural no segmento do rock
também é enfocada por Santa Fé.
“As bandas dos anos 80 conseguiam traduzir a realidade e a
angústia vivida pelos jovens, principalmente os urbanos. Por isso, elas foram
consideradas pelas gravadoras como um investimento seguro e lucrativo”, afirma.
“Nessa época, o rock realmente se popularizou e vendeu muitos discos, mas, com
o tempo, aquele espírito crítico e contestador acabou se perdendo, ou pelo
menos, tornou-se menos explícito.” (Veja quadro.)
O
sociólogo acrescenta que embora o segmento politizado do rock nos anos 80 tenha
nascido em um circuito musical alternativo, “feito por jovens para os jovens”,
muitos grupos e artistas aderiram ao esquema comercial das gravadoras com a
desculpa de que, por meio delas, suas mensagens poderiam ser veiculadas com
mais facilidade. “Isso ajudou o processo de massificação da música no Brasil,
que, para se consolidar, ainda precisava atingir o público jovem”, conclui
Santa Fé.
Contestação permanece
Vocalista do Ira elogia bandas como O Rappa
Ao que parece, as mensagens engajadas e contestadoras que
marcaram muitos dos sucessos das bandas nacionais na década de 1980 não têm a
mesma importância para o cenário do rock brasileiro atual. Segundo o sociólogo
Clóvis Santa Fé, os hits de maior popularidade entre os jovens no País são, em
sua maioria, comerciais e descompromissados com causas políticas e sociais.
Para ele, a conquista definitiva da liberdade de expressão, o combate ao
preconceito e a consolidação do espaço para a música jovem no País foi a grande
herança dos grupos dos anos 80 para essa geração do rock. “O lema punk do it
your self – ‘Faça você mesmo!’ –, que influenciou grande parte das bandas
daquela época, não foi abandonado e, graças a ele, o circuito musical alternativo
vem crescendo e dando origem a novos grupos e selos independentes”, afirma.
Para Nasi, vocalista da banda Ira!, apesar das imposições por
parte da indústria fonográfica, a cena do rock nacional entre as décadas de
1990 e 2000 também rendeu bons frutos. Segundo ele, bandas como O Rapa, Planet
Hemp e Nação Zumbi, são inovadoras e retratam com clareza a realidade atual no
Brasil. “Bandas como essas representam, para a geração atual, aquele espírito
contestador do Rock nos anos 80”, afirma. “Uma alternativa não só para os novos
grupos musicais, mas também para o público, são as rádios comunitárias”,
afirma.
Otimista em relação ao futuro da música e do rock no Brasil,
Nasi acrescenta que o verdadeiro talento é capaz de ultrapassar qualquer
barreira. “Quando comecei a tocar nunca imaginei que o rock se tornaria uma
espécie de indústria”, afirma. “Mas tenho esperanças. No filme Jurassic Park,
de Steven Spielberg, há uma frase que diz ‘A vida encontrará um caminho’.
Acredito que o mesmo acontece com a música”, compara. “No momento, o rap vem
sendo o agente de contestação mais contundente da música brasileira.”
domingo, 27 de maio de 2012
"Para nossa alegria" vs "Movimento dos Indignados"
Clóvis Santa
Fé Junior
http://www.facebook.com/profile.php?id=100003092181950
Bom dia, Povo!!! No dia 9
de maio postei uma imagem no meu mural na qual se podia ver que países árabes
saiam as ruas reivindicando direitos democráticos, enquanto os brasileiro
dançam ao som do "eu quero Tchuuu" proposto por nosso galático
Neymar.
Pois bem. Para quem não
entendeu a proposta de reflexão daquele meu mural, aproveito então para postar
o link de uma notícia em castelhano (mesmo para quem não lê espanhol dá para compreender a maior parte do texto
da notícia, apresentando fotos interessantes) mostrando o "Movimento dos
Indignados", em várias partes do mundo, indo às ruas novamente, como foi
feito em maio de 2011, para protestar contra a crise econômica que assola o
mundo gerando miséria e desemprego. O que eles reivindicam? Reivindicam uma
ordem social mais justa e igualitária, em que o povo não pague mais a conta da
farra de banqueiros e corporações.
E o Brasil, saímos às ruas
para protestar contra os juros escorchantes que nos são cobrados? Olhe a fatura
de seu cartão de crédito veja quanto lhe é cobrado de juros se precisar cair no
crédito rotativo. Nossa presidenta anuncia a diminuição dos juros, mas os
bancos privados afirmam não poder praticar esses juros. E nós povo brasileiro o
que fazemos?
Esse post é então
"PARA NOSSA ALEEEGRIIIIIIAAAAA"!!! O link da notícia é o http://blogln.ning.com/ profiles/blogs/ un-d-a-que-estremece-al-mundo?x g_source=facebookshare e
merece ser lido. Agradeço ao meu ex-aluno do curso de História, Paulo Cesar Prado, pelo compartilhamento.
Abraços.
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