segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Faz Parte do Meu Show*


Fabio Augusto da Silva Lima
Contato: fabioasl@gmail.com

Era um garoto, e como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones. Na verdade, amava muitas outras coisas da vida. Já faz um tempo, ah, tempos, belos tempos, tempos que já não voltam mais. Antigamente eu sabia o que fazer. Hoje não sei tudo mudou. Quero me encontrar, mas não sei onde estou. O melhor esconderijo, a maior escuridão, já não serve de abrigo, já não dão proteção. Eu ando tão down, confuso, um momento de embriaguez. Mas quem sabe, a vida é não sonhar. Ou talvez, somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter. Vai ver que é assim mesmo, e vai ser assim pra sempre, vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente, estou cansado de bater e ninguém me abrir. Mas Marvin, eu aprendi, agora é só você, e não vai adiantar, chorar vai me fazer sofrer. O mais engraçado é que toda a dor vem do desejo de não sentirmos dor. Contradição? Queria ter liberdade, me expressar, mas me sinto preso. Preso dentro das grades que eu mesmo construí. Pensei que tinha liberdade, mas na verdade, era só ilusão. Tudo está padronizado, massificado, ou se encaixa no sistema ou se está fora. Indústria cultural! Nesses tempos sombrios, tudo se torna mercadoria, produto a ser explorado e vendido. O que vale é o lucro, ter em detrimento do ser, aparência desprovida de essência. Sociedade do Espetáculo. Vejo o BBB e imagino: ratos de laboratório. Mas a diferença é que os ratos ainda servem de algo a sociedade. De qualquer forma, de que adianta protestar, estamos todos programados, brothers e espectadores. O pop não poupa ninguém. Mas talvez estejamos todos no mesmo barco, nessa terra de gigantes, que trocam vidas por diamantes. Humano demais? Porque a gente é assim? Não tem explicação. Às vezes o que eu vejo quase ninguém vê. Pra ser sincero, nada mais me surpreende. Reza a lenda que a gente nasceu pra ser feliz. Ouro de tolo. Me enganaram e eu também vou reclamar. Alivio imediato. Tudo é efêmero e transitório. Mas como disse o poeta que está vivo, o tempo não para! Somos todos passageiros nessa infinita highway. Tudo está em movimento. Eu sei. Novos horizontes, se não for isso, o que será?

*texto inspirado a partir de letras e refrões de compositores e bandas nacionais.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Feliz Ano Novo



Prezados leitores!!!

Primeiramente, eu gostaria de desejar um Feliz Ano Novo aos leitores do meu blog e reiterando que 2013 seja um ano repleto de realizações, felicidades e com incontáveis pensamentos positivos.

Eu gostaria de agradecer também aos amigos que publicaram textos interessantes neste blog, no caso o meu irmão Júnior e meu amigo Fábio Augusto, e, por fim, às 3475 visualizações em menos de 01 ano de existência do blog “Epílogo da Vida”, com alguns tópicos despertando a discussão em algumas pessoas.

Abraço a todos

Viva 2013!!!!!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Professor = Bombril: 1.001 Utilidades, exceto a de ser Professor



Cléder Aparecido Santa-Fé
E-mail: casantafe83@gmail.com

Foi com uma sensação de sarcasmo, misturada com indignação, que conclui a leitura da seguinte notícia: “Após massacre da escola primária de Newtown, projetos querem armar educadores”. Em síntese, os EUA estão fomentando projetos, lobby evidentemente favorável ao comércio de armas de fogo, que visam armar e oferecer capacitação de tiro ao professorado americano. Estas medidas tomaram forma após o último massacre ocorrido na escola primária de Newtown.

Diante do meu estado de perplexidade com a novidade, rememorei algumas discussões realizadas durante a graduação em Pedagogia entre professores e amigos e cheguei a uma constatação emblemática e pessimista: a classe docente, presa em sua inércia às questões políticas, tornou-se o “Rato de Skinner[1]“ do Estado, ou seja, se consolidou, de forma inédita, como a principal cobaia das políticas públicas para além das educacionais.

As justificativas apresentadas pelas autoridades são inúmeras, com ênfase na melhoria da qualidade do ensino até programas preventivos de Segurança Pública, sendo o último ponto objeto fomentador desta discussão.

É conveniente ressaltar, na maioria dos casos, que estes programas são executados sem nenhum planejamento do Poder Público e são impostos à classe docente, destacando a inexistência de prévia discussão e estruturação curricular entre os envolvidos e das condições básicas de aplicabilidade destas políticas.

Deste modo, verifica-se que as atribuições do professor, na atualidade, estão cada vez mais fragmentadas, visto que o mesmo se tornou um profissional polivalente, no sentido negativo da palavra, pois é obrigado a assumir responsabilidades que não lhe diz respeito. Por exemplo, eu considero um absurdo que um educador, em caso de emergência, deva atirar em um alucinado, muitas vezes produto da cultura e sociedade norte-americana. Já bastam os momentos em que esta categoria é obrigada a assumir o papel de psicólogo, assistente social, sociólogo, policial, etc. A grande questão que deixo para ser aprofundada é: Quando o professor será P.R.O.F.E.S.S.O.R.?

Este texto procura valorizar e defender as concepções do papel do professor em consonância com os pressupostos exarados pelos autores Dermeval Saviani e Mariana Fonseca Taques.  Para Saviani (1985, p. 27) “o pedagogo é aquele que possibilita o acesso à cultura, organizando o processo de formação cultural”. Segundo Taques (2007):
  
 “O papel do pedagogo é realizar a articulação entre a teoria e a prática pedagógica, dentro das condições concretas de ensino e aprendizagem, uma vez que, como responsável pela organização do trabalho pedagógico da escola como um todo, este profissional deve conhecer as possibilidades e as relações dos diversos contextos que constituem, sendo possível prever e prover, de forma sistemática, o currículo, os recursos e a distribuição do tempo e do espaço escolar, para que as atividades planejadas sejam realizadas, além de analisá-las quanto a sua efetividade para a promoção da aprendizagem”. (TAQUES 2007, p. 4)




[1] Burrhus Frederic Skinner (Susquehanna, Pensilvânia, 20 de Março de 1904 — Cambridge, 18 de Agosto de 1990) foi um autor e psicólogo americano. Dedicou-se durante anos em experiências com ratos e pombos, alicerce de toda base teórica do Behaviorismo.