domingo, 13 de outubro de 2013

Novos Tempos?

Cléder Aparecido Santa-Fé
Contato: casantafe83@gmail.com

Prezados leitores!

É de conhecimento da maioria, por meio de vinculação nos noticiários, a dificuldade encontrada pelos adeptos do novo partido denominado "Rede Sustentabilidade" no seu processo de legalização junto ao TSE. O mais intrigante de tudo isso não é a aliança forçada com o PSB, ou como diria a própria Marina Silva, o plano C à disputa do pleito presidencial, mas sim a prevaricação, até que ponto intencional, na regularização deste partido.

A REDE vem a público com a divulgação de novas propostas e enriquecimento do debate político em âmbito nacional, permitindo experienciar uma ótica para além da bigamia industrialista presentes nos atuais partidos dominantes deste país: PSDB e PT.

É evidente que há outros interesses na perpetuação da ilegalidade deste partido, pois, conforme foi dito pela própria Marina, alguns segmentos do mercado não seriam contemplados pelo partido, devido estes possuírem objetivos antagônicos às diretrizes partidárias estabelecidas pela REDE.

Em suma, a "ilegalidade" da REDE se constitui em um retrocesso político, visto que os cidadãos não terão a escolha de conhecerem os novos conceitos políticos emergentes, ficando o debate centralizado nas diretrizes estabelecidas pelas duas maiores legendas deste país.

Qual é a sua opinião a respeito deste fato?


Abraço a todos e boa semana!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Fatos (A Consequência)


Cléder Aparecido Santa-Fé
Contato: casantafe83@gmail.com


É muito engraçado como os fatos na atualidade estão cada vez mais instantâneos e, de certa forma, aparentemente descartáveis.  Parece que vivenciamos constantemente o similar, visto que as notícias se repetem, levando ao ouvinte, telespectador e internauta manifestar sensações de indiferença, vazio e diversos outros sentimentos acerca dos acontecimentos do velho vasto mundo.

Em 2001, eu escrevi uma canção que aborda, quase em sua totalidade, o ser humano dos séculos XX e XXI. A atual humanidade está sendo frequentemente bombardeada com informações e, na maioria das vezes, as percepções destes fatos acabam sendo manipulados ou sem significado concreto ao destinatário da informação.  Nesse caos de acontecimentos, aparentemente sem ligação, existe uma idéia maior que embasa todo o significado dos fatos fragmentados e dissociados, caracterizando, portanto, os hábitos e costumes da nossa sociedade atual.

Diante disso, segue para apreciação de todos a canção intitulada “Fatos (A Consequência)” de minha autoria.

“FATOS (A consequência)” (Cléder Aparecido Santa Fé)

Os rumores da existência.
O álibi do inconsciente.
A existência de dois planos.
A criação e o criador.

A evolução da criatura.
A lógica da profecia.
O poder de sedução.
A psicanálise do ser.

A pluralidade das etnias.
A diversidade de opiniões.
O exemplo de sociedades.
O êxito da transição.

O epílogo da vida.
A utopia do aprender.
As fontes insaciáveis de consumo.
Os opostos que se atraem.

Existência, inconsciente,
Etnias, sociedades,
Sedução e consumo.

Bom final de semana a todos e até a próxima.

terça-feira, 25 de junho de 2013

“A DEMOCRACIA COMO VALOR UNIVERSAL”


Clóvis Santa Fé Jr[1]

Começo meu texto me apropriando do título do ensaio do saudoso filósofo político Carlos Nelson Coutinho —  um dos textos que li durante a faculdade e que me impactou profundamente  —  para discorrer sobre os últimos eventos envolvendo as manifestações populares que tomam as ruas de todo o país, das quais tanto me alegro mas também me preocupam. E faço isso não por acaso, mas pela necessidade urgente de que pensemos os “caminhos” que essas passeatas estão tomando, perpassadas pelo “ressentimento” e até por uma certa intolerância. 

É certo a existência de uma crise de nossas instituições políticas, que parece revelar a falência da forma “partido” como mecanismo de representação política dos anseios dos vários segmentos que compõem a sociedade como um todo. Isso fica muito claro em frases de efeito que aparecem pintadas nos diversos cartazes e/ou faixas dos manifestantes, como por exemplo, “nenhum Partido me representa” ou “nem esquerda nem direita, eu quero seguir em frente”. Para mim, ser “apartidário” não obriga que o mundo seja também e vice-versa. Já disse uma vez que o mundo das "plenas certezas" é solo fértil para pensamentos totalitários. 

Quando lidamos com o conceito “democracia”, que pressupõe “liberdade de expressão e pensamento”, é preciso respeitar a existência das diferentes formas de pensar o mundo, mesmo que não concordemos com elas. Daí a importância do “Estado Laico”, o qual ao separar o Estado da religião busca garantir a pluralidade de pensamento, crenças (liberdade de culto), ideologias etc. 

Neste sentido, a participação de partidos políticos, que historicamente sempre defenderam causas progressistas, é importante, para não dizer crucial, mesmo que isso se dê de forma “oportunista” num primeiro momento. Impedir a participação nas manifestações de rua das pessoas que possuem ideologia partidária abre caminho para algo mais perigoso, ou seja, o “pensamento totalitário”. Penso que na luta por um Brasil melhor cabe o diálogo com todas as forças progressistas, sejam elas partidárias ou não. E não conseguiremos isso levando a destruição dos canais políticos de diálogo. Dito de outra forma, unidos em nossas reivindicações somos mais fortes do que lutando “uns contra os outros”. 

Digo isso porque “onde o diálogo cala a intolerância em suas múltiplas formas ruge”. Também se faz necessário que façamos uma reflexão cuidadosa no que diz respeito ao surgimento de “pautas espúrias”, como as que pedem o “Impeachment da Dilma” ou ainda uma “intervenção militar”. Essas são reivindicações perigosas e ilegítimas, que grupos com interesse em promover a instabilidade das instituições democráticas estão tentando implantar como pauta principal das manifestações; buscam assim se beneficiarem no final desse processo tomando e/ou manipulando o poder às custas da inocência popular. A Presidente em exercício foi eleita de forma legítima e deve permanecer no cargo até completar o seu mandato mesmo que não gostemos de sua gestão. A desaprovação da presidente deve ser revelada nas próximas eleições através do voto democrático. Isso é a democracia. E não se enganem, essas “reivindicações” (refiro-me ao “impeachment” e a “intervenção militar”) não tornam nossa democracia mais efetiva (e/ou melhor) como fazem imaginar. 

Ao contrário, elas alargam a crise institucional de nossa jovem democracia, e não podemos retroceder nas conquistas que o nosso país conseguiu nos últimos 28 anos (eleições diretas, liberdades democráticas, etc.). Portanto, se o movimento que ocupa as ruas do país não tiver uma agenda clara, pessoas organizadas (que seja até como “associações de bairro” e não “ajuntadas” como estão) e disposição para negociar politicamente a reivindicação dos direitos, caminharemos para a instabilidade do regime democrático. Neste sentido, a possibilidade do retorno de um regime autoritário, seja civil ou militar, passará a ser um dado concreto no horizonte (o qual repúdio totalmente só em pensar em tal possibilidade!!!). Vivemos um momento lindo da história brasileira mas grave devido a nossa fragilidade institucional posta em xeque; um momento em que o povo ocupa as ruas como nunca pensamos ser possível, mas que agora clama por algo inovador, isto é, que as pessoas (incrédulas com os partidos) se organizem em organizações e/ou associações de novo tipo para assumir com outras organizações (partidárias ou não) a interlocução com os governos federal, estadual e municipal e tornar concretas as reivindicações hoje legítimas. As redes sociais na internet mostraram sua importância, cabe a nós agora acrescentá-las de forma inovadora no diálogo democrático com quem nos representa. 

Um novo Brasil e novas instituições democráticas podem estar nascendo a partir desse poderoso “experimento político” que estamos vivenciando, porém “é preciso o cuidado de não jogarmos o bebê junto com a água do banho”. 

Sejam bem-vinda “vozes das ruas”, nossa jovem democracia sentiu muito sua falta!!!


[1] É mestre em Sociologia pelo programa de Pós-graduação em Sociologia da UNESP/FCLAr e docente da Faculdade de Tecnologia de Sertãozinho (FATEC) nas disciplinas “Sociedade, Tecnologia e Inovação” e “Sociologia das Organizações” do curso de Tecnologia em Gestão Empresarial: Processos Gerenciais.