quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Joe Strummer - Punk Rock Experimental


Boa noite a todos!

Estou postando uma música do Joe Strummer que sintetiza o quanto esse artista foi importante para música mundial, principalmente no movimento punk, já que ousou trabalhar vários outros ritmos em sua discografia. 

Em suma, esse grande artista contribuiu significativamente para que as músicas do The Clash, assim como seus trabalhos posteriores ficassem  para posteridade.

Tenham todos uma boa semana e espero que gostem do vídeo.

Abraços

Cléder


domingo, 24 de novembro de 2013

Indust-realidade



Clóvis Santa Fé Junior
clovis.santafejr@ig.com.br

Recomendo fortemente que vejam este vídeo e reflitam sobre o modo de vida que estamos levando. Há várias implicações que poderia levantar aqui, mas uma das principais está relacionada com o provérbio "o que os olhos não vêem o coração não sente". Estamos nos tornando de todo insensíveis? Isso pode se virar contra nós?

Esse vídeo expõe bem a discussão final do texto "A Técnica", em que discutimos na FATEC - Sertãozinho algumas constatações propostas pela Teoria Crítica Frankfurtiana (representada principalmente por Horkheimer, Adorno e Marcuse) sobre nossa sociedade administrada pela razão instrumental e não pela razão vital. Essa mesma discussão me faz lembrar como os irmãos Wachowski (criadores do Filme Matrix) possuem certa genialidade ao problematizarem em seus filmes essa questão da "insensibilidade" trazida por uma sociedade tecnológica. Em Matrix, principalmente na cena em que mostram que os seres humanos não nascem mas são cultivados muito semelhante aos porcos neste vídeo. E em seu novo filme, "A Viagem" (Cloud Atlas), os irmãos retomam esse questionamento mostrando o que se fazia com as garçonetes da Nova Seul de 2113.

Aí está o perigo de uma sociedade altamente tecnológica, a desumanização completa. E, por este motivo, a questão da Liberdade tratada em seus filmes se torna primordial. Liberdade ali é sensibilidade, colocar-se no lugar da diferença, no lugar do outro. O problema essencial então que procuram apontar é que nossa insensibilidade - nutrida por uma tecnologia produzida por uma sociedade que mais aliena do que liberta - pode crescer a um ponto de criarmos duas categorias de humanos: humanos (ricos) e sub-humanos (pobres).

Daí o que acontecer aos seres humanos de 2ª categoria não terá a mínima importância. Por isso, a importância da discussão de Alvin Toffler sobre o surgimento da civilização de Terceira Onda e qual o lado que apoiamos. Baseando-me nele posso afirmar que o que se vê neste vídeo é o pensamento de 2ª Onda se realizando concretamente.

Não há espaço aqui para o "espanto filosófico", só padronização, padronização e padronização. Mas creio ainda haver tempo para fazer diferente e colocar a tecnologia (Razão Instrumental) submissa aos princípios da Razão Vital. Por isso os rumos da Política daqui para frente (uma nova política?) será crucial como nunca antes. Que tal refletirmos sobre isso? 

Abraço a todos!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A felicidade materializada



Fabio Augusto da Silva Lima
Contato: fabioasl@gmail.com

O grande filósofo grego Epicuro, defende na obra Carta sobre a felicidade, que o prazer é o inicio e o fim de uma vida feliz. No entanto, também alertava para a necessidade do cuidado com a busca indiscriminada pelo prazer, pois isso, ao invés de trazer satisfação, teria o efeito contrário, ou seja, resultaria em dor e sofrimento.

Já no século XVIII, os filósofos do iluminismo francês defendem a ideia da felicidade enquanto o objetivo supremo de cada individuo. Para tanto, esse ideal deve ser alcançado por meio da conquista da liberdade, necessária tanto para o desenvolvimento das capacidades físicas e intelectuais do individuo quanto para sua atuação na vida política.

Na nossa sociedade contemporânea, o conceito de felicidade mudou radicalmente. Na verdade, nos dias de hoje, a felicidade está associada ao progresso pessoal, profissional e, sobretudo material. De fato, defende-se que esse progresso seria necessário para a conquista do prazer, da satisfação e a realização do individuo.

A questão que se coloca é que essa busca, dentro da lógica capitalista, se dá pelo viés mercadológico, ou seja, pela via do consumo. Nesse sentido, numa sociedade de mercado, tudo se torna mercadoria. Na verdade, vivemos num mundo com apelos mercadológicos constantes, onde até os prazeres são mercantilizados.

Portanto, no mundo liquido moderno, para usar a expressão do sociólogo Zygmunt Baumann, a felicidade mais do que um ideal, se torna um produto. Felicidade materializada. Dessa forma, para alcançá-la, é preciso consumir cada vez mais, de todas as formas possíveis, inclusive o próprio consumo de imagens. Veja por exemplo os shoppings Center, que representam o grande palco do fetichismo da mercadoria.

Desse modo, como descreve o historiador brasileiro Jacob Gorender, a sociedade capitalista também se apresenta como sociedade do espetáculo. Ou seja, importa mais do que tudo a imagem, a aparência, a exibição. A ostentação do consumo vale mais que o próprio consumo. A aparência se impõe a existência. Parecer é mais importante do que ser.

Além disso, a ansiedade, a impulsividade, o imediatismo e o comportamento de risco, por exemplo, passaram a ser fatos corriqueiros na vida das pessoas. Tudo se torna efêmero e transitório. Basta clicar um botão e estamos conectados ou desconectados, tudo vai depender do tamanho do nosso tédio.

 O problema é que esse estilo de vida tem levado a uma insatisfação e o adoecimento cada vez maior dos indivíduos, pois nunca se está satisfeito, é preciso sempre mais. Com isso, sentimentos como impotência, tristeza e solidão têm sido cada vez mais constantes. Não por acaso, segundo previsões da Organização Mundial da Saúde, a depressão será a doença do século XXI.

Além dos males que o atual contexto acarreta no plano individual, há também um prejuízo no plano coletivo. Primeiro porque esse progresso material é conquistado através da destruição do Meio ambiente. Para observar isso, não é preciso muito, é só olhar o nosso entorno e ver a cidade com seus prédios e carrões, com um crescimento sem medidas e desenfreado por um lado e o desmatamento e a poluição do outro. Segundo porque impera no nosso mundo o individualismo, a segregação e a competitividade em detrimento da participação política, da solidariedade e da coletividade entre as pessoas.

No entanto, gostaria de enfatizar que apesar dos pesares, nem tudo está perdido. É inegável que a sociedade avançou em muitas áreas, a tecnologia, por exemplo, contribui muito para a transformação dos meios de comunicação, permitindo uma verdadeira revolução digital e novas possibilidades de interação entre os indivíduos. O problema é que há ainda uma privatização sobre esses meios, não se enganem, são as grandes corporações que controlam, operam e monopolizam tudo o que é produzido.

Sendo assim, diante do que foi exposto, fica a pergunta: será possível superar essa realidade e resgatar o conceito original de felicidade?  Acredito que sim, no entanto, é preciso construir alternativas, de modos de viver diferente. Para tanto, é necessário urgentemente romper com esse estilo de vida consumista, com a promoção de valores humanos universais de igualdade entre as pessoas e a garantia dos direitos básicos, como saúde, alimentação, educação, moradia e lazer, entre outros, além da preservação dos recursos naturais essências para nossa sobrevivência.

Desse modo, para além de uma lei proposta pelo senado brasileiro que institui o direito a felicidade, um bom começo seria a mudança da nossa postura contra essa lógica perversa, pois como defende o cientista político Jonh Holoway “nossa força depende da capacidade de dizermos não”.