Ana Paula Silveira
a_silveirapaula@yahoo.com.br
Que país é esse que
a corrupção assola a sociedade? Que país é esse que milhões são encontrados em
malas? Que país é esse que massacram índios? Que país é esse que a luta contra
o desmatamento e o extrativismo é tido como necessário? Que país é esse que baniram a reforma agrária
por numerosas vezes? Que país é esse que há uma alta concentração de renda e
poder? Que país é esse que os partidos políticos são verdadeiras facções? Que
país é esse que a organização criminal é melhor que a organização pública? Que
país é esse que há o caos na saúde pública? Que país é esse que privatiza os
setores públicos para receber propinas? Que país é esse em que não há segurança
pública? Que país é esse que as mulheres são violentadas? Que país é esse que
ejaculam em mulheres nos transportes públicos? Que país é esse que não há
equiparação salarial que faz distinção de gêneros? Que país é esse onde o
racismo é latente? Que país é esse em que a violência tem cor? Que país é esse
que a orientação sexual é sinônimo de anormalidade? Que país é esse que as
pessoas não têm tolerância religiosa? Que país é esse que prima pela
padronização? Que país é esse que cria uma Base Nacional Comum Curricular? Que
país é esse quer uma Escola sem partido? Que país é esse que acaba com as
Universidades Públicas? Que país é esse que acaba com a educação pública?
Essas e outras
questões deveriam fazer parte do cotidiano de todxs cansadxs de presenciar a
triste realidade, nesse país não podemos dizer que existe um Estado
democrático, pois essa “democracia” coopta para o aumento do poder do
capitalismo, sobretudo o poder daqueles que detém o capital financeiro, como
pontou Florestan Fernandes.
Fomos instruídxs e
ensinadxs que vivemos em Estado de Democracia, mas quando na realidade os acontecimentos
provam que não há um regime participativo, como pode haver cidadania e direitos
iguais, se em um determinado Estado da federação, existem leitos e hospitais e
em outras unidades federativas, pessoas morrem nos corredores por falta de
materiais básicos para atendimentos ao público.
Há democracia em um
país que proíbe professores de ensinar o quão está errada nossas concepções de
sociedade e formação do sujeito, um país que teme a Escola crítica, um país que
não permite os professores militarem a favor da sociedade.
Lembro-me que por
anos a FUVEST procurou por um herói brasileiro em seus vestibulares, mas os
heróis brasileiros são os professores, os quais tem muito caráter e força de
vontade de oferecer aos educandos, oportunidades de saírem da mesmice, do
fracasso já predestinado pela violência, pela descriminação racial, pela
ausência de políticas de segurança pública eficaz, fracasso que aqueles que
estão no poder torcem para acontecer, pois é fundamental ter fracassados e
vitoriosos, é necessário ter meritocracia e perpetuação da pedagogia do
cultivo, assim como afirmou Weber.
Isso não quer dizer
que o capitalismo é o grande culpado por tudo que acontece, se há um culpado,
esse talvez, seja as pessoas que por aqui passaram ou que aqui estão, todxs
contribuíram de modo direto ou indireto para a estruturação e composição da
concentração de poder, advindos das facções, que concentram os elegidos pelo
povo para representatividade.
Somos todxs
corruptos? Somos todxs inaptos a viver em sociedade? Somos todxs perversos? Somos
todxs egoístas agimos somente para beneficiar a si? Somos nós os verdadeiros
políticos desse país somos nós que executamos as políticas pensadas ou copiadas
para esse país, de acordo com Stephen J. Ball estamos no contexto de prática,
alguns podem até pairar nos contextos de influência e de texto, mas a prática
revela o país.
Muito bem escrito. É muito triste q tudo isso infelizmente está acontecendo no nosso pais.
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